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Resenha Crítica | Olhos da Justiça (2015)

Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes)

Secret in Their Eyes, de Billy Ray

Ótimo diretor, Billy Ray acabou pendendo mais para o ofício de roteirista, sendo indicado no Oscar nesta função com o texto adaptado de “Capitão Phillips”. Não se sabe as razões dessa decisão, pois “O Preço de Uma Verdade” e “Quebra de Confiança” foram recebidos com entusiasmo pelo público e crítica. O seu retorno na direção de um longa-metragem vem com “Olhos da Justiça”, talvez o movimento mais ousado de sua carreira.

O título original tenta esconder, mas todos já sabem que estamos diante da refilmagem americana para o argentino “O Segredo dos Seus Olhos”, filme de Juan José Campanella laureado em 2010 com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Novas versões para obras ainda frescas no imaginário coletivo raramente rendem resultados positivos, como bem provam “Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, “Quarentena” e “Deixe-me Entrar”.  Felizmente, “Olhos da Justiça” sabe ser fiel ao material original e escolheu um bom contexto para situar as duas linhas do tempo que correm paralelamente.

No período atual, temos o protagonista Ray (Chiwetel Ejiofor) flagrado em um momento em que uma descoberta o faz se reconectar a pessoas essenciais quando exercia o papel de investigador do FBI, sendo elas a supervisora Claire (Nicole Kidman), pelo qual tem um amor não declarado, e os parceiros Jess (Julia Roberts), Bumpy (Dean Norris) e Siefert (Michael Kelly). Simultaneamente, a trama retrocede 13 anos para sabermos o que atingiu este núcleo.

Já no primeiro ato, o mistério é elucidado. 2002 foi um ano sensível para os Estados Unidos, com o país em situação de alerta após os atentados do 11 de setembro. Um assassinato é investigado pela equipe de Ray e revela-se que a vítima foi Kit (Lyndon Smith), a única filha de Jess. O principal suspeito é o jovem Marzin (Joe Cole), que atua como informante em uma mesquita com membros que o FBI julga como terroristas em potencial. Esse fato prejudica o andamento de uma punição, pois uma autoridade da unidade, Martin Morales (Alfred Molina), não quer arruinar a sua reputação como líder de uma operação com a exposição de um colaborador com potencial de psicopata. Daí a narrativa não seguir uma ordem cronológica, pois Ray retorna crente de que encontrou Marzin, que aparentemente se submeteu a uma cirurgia plástica para não ser reconhecido e detido.

As comparações com o original são inevitáveis quando Billy Ray reprisa cenas-chave. O fabuloso plano-sequência de uma perseguição no estádio de futebol é reencenada em “Olhos da Justiça” com cortes e sem a mesma tensão. Também não soma a trilha sonora de Emilio Kauderer, compositor em “O Segredo dos Seus Olhos”. De qualquer modo, Billy Ray, que conseguiu trazer Juan José Campanella a bordo para a produção executiva, acerta nas atualizações e conta com grandes nomes para os papéis principais.

Chiwetel Ejiofor é um ator pelo qual nos envolvemos com facilidade, representando o desejo da audiência em desrespeitar regras de interesse para cumprir o desejo de se fazer justiça. O carisma também é um dos fortes de Dean Norris, que colhe os frutos com a sua participação em “Breaking Bad” com várias propostas para cinema – esteve excelente no também recente “Memórias Secretas”. Por fim, há Nicole Kidman e Julia Roberts, sendo aquelas que mais refletem em cena o peso que o tempo teve para as suas personagens. São também submetidas a momentos de maior densidade, como o da Claire de Nicole no interrogatório com Marzin e a Jess de Julia ao abraçar o corpo sem vida de sua filha em uma caçamba. A sobriedade presente na conclusão surpreendente também colabora para “Olhos da Justiça” deixar uma impressão forte e positiva.

 

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