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Resenha Crítica | Até Que A Casa Caia (2015)

Até que a Casa Caia

Até que a Casa Caia, de Mauro Giuntini

Quatro anos após a sua estreia como diretor de longa-metragem com “Simples Mortais”, Mauro Giuntini faz, ao menos a princípio, um bom estudo de Brasília, a capital federal do país e cidade em que reside. Isso porque o cenário esplendoroso, notório por suas construções modernas, algumas assinadas por Oscar Niemeyer, é visto quase em ruínas ou em estado degradante.

Protagonistas de “Até que a Casa Caia”, Marat Descartes e Virginia Cavendish são Rodrigo e Ciça, um casal legalmente divorciado que habita o mesmo apartamento. Mesmo com um filho, Mateus (Emanuel Lavor), ambos são cientes do acordo em levar uma vida independente, sem precisar dar satisfações sobre os novos parceiros que possam surgir.

A implicação quanto a conviverem juntos diz mais respeito a um problema de renda, pois as más remunerações para as atividades que exercem – ele é professor, ela é massagista/vidente/taróloga – são suficientes para arcar com as despesas domésticas quando unidas. Tudo caminha no limite do tolerável até Rodrigo responder a uma episódio de ciúme com o relacionamento sério que assume com Leila (Marisol Ribeiro), secretária de um gabinete em que ele apresenta propostas para projetos de lei.

Os desajustes de infraestrutura dos ambientes, que incluem um buraco na parede que separa os quartos dos ex-cônjuges e as goteiras que interrompem as aulas de Rodrigo, ressoam como rachaduras na moralidade de personagens de um território com um custo de vida tão altíssimo que o impossibilitam de preservar a própria integridade e privacidade em um teto todo seu. Leila é também enriquecida nesse processo, passando de mera amante para uma jovem com motivações que ficam mais claras com a aproximação do último ato.

A deficiência do texto assinado por Lu Teixeira é acreditar que o paralelo de estrutura do espaço com os limites emocionais não é o suficiente para “Até que a Casa Caia”, avolumando o filme com impasses com resoluções insatisfatórias e a inserção de humor. Além de se perder com o posicionamento de Mateus em meio a todo o conflito conjugal, há uma ingenuidade extrema ao trazer Rodrigo como um sujeito corruptível e Ciça com toda uma passividade implausível tanto ao tolerar Leila quanto ao trazer uma senhora estranha para o seu lar. São problemas ignorados em tratamentos de roteiro que nenhuma tentativa de fazer graça consegue contornar.

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