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Resenha Crítica | Reza a Lenda (2016)

Reza a Lenda

Reza a Lenda, de Homero Olivetto

Uma das vantagens do aumento de nossa produção cinematográfica é o surgimento cada vez mais expressivo de projetos que gostam de riscos, de flertar com gêneros não consagrados no país. Claro que a cada 100 filmes produzidos anualmente, uma boa fatia é representada por comédias que reproduzem o formato televisivo e as fórmulas desgastadas, mas é algo a se comemorar. Ainda assim, existe uma força de vontade, uma boa intenção, que nem sempre permite a um filme chegar lá. É o caso de “Reza a Lenda”.

Roteirista de “Bruna Surfistinha”, Homero Olivetto certamente planejou por anos a sua estreia como diretor em longa-metragem e “Reza a Lenda” é mesmo um projeto carregado de um repertório composto por anos de pesquisa além do cinema, como a linguagem dos quadrinhos e os costumes do nordeste. É uma junção que promete, pois temos uma ação estilizada, por vezes temperada por uma violência gráfica, com a fé religiosa como elemento dramático, assegurando personalidade ao filme.

Interpretado por Cauã Reymond, Ara é quase uma encarnação do Mad Max de “Estrada da Fúria”, um sujeito silencioso e dúbio. É também o líder de uma gangue de motociclistas, sendo bem-sucedido ao “sequestrar” a imagem da Virgem Maria, adorada para que concretize o desejo de toda a população em fazer com que o céu despeja a água cuja falta devasta o solo.

Além dessa promessa de milagre, há interesses comerciais por trás do monumento e Tenório (Humberto Martins) vai iniciar uma caçada para reavê-lo, o que acarreta no massacre de todos os aliados de Ara. Há também espaço para um triângulo amoroso, com Ara dividido entre Severina (Sophie Charlotte), sua companheira, e uma jovem que resgata no meio da estrada, Laura (Luisa Arraes).

Como um vilão com diálogos impagáveis e métodos pouco comuns para exibir o poder que exerce, como decapitar desafetos e despachar as cabeças com balões de São João, Humberto Martins rouba a cena em “Reza a Lenda”, um filme incapaz de desenvolver os demais personagens e o contexto em que estão inseridos satisfatoriamente. As intenções de discurso estão devidamente alinhadas. O que restou é inserir substância ao roteiro, que por vezes anda em círculos.

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