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Os Destaques na Coletiva de Imprensa de O Escaravelho do Diabo

Muitos adultos ainda recordam com carinho da série literária Vaga-Lume. Afinal, foi a partir da leitura recomendada de seus títulos na fase escolar que muitos descobriram a sua paixão pelo ato de ler ou mesmo de se imaginar em outras histórias. Indiscutivelmente, “O Escaravelho do Diabo”, de Lúcia Machado de Almeida, é o maior clássico da coleção e só agora ela recebe uma versão para o cinema.

Na coletiva de imprensa realizada no dia 4 de abril, o diretor Carlo Milani, a produtora Sara Silveira e os atores Thiago Rosseti e Marcos Caruso compartilharam sobre a diversão de se fazer a adaptação ao mesmo tempo que em admitem as dificuldades para a sua viabilização. A seguir, você confere os principais destaques da conversa com os jornalistas. Já a nossa opinião sobre o filme, que estreia nesta quinta-feira, 14 de abril, você pode ler aqui.

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Carlo Milani, O Escaravelho do Diabo (Crédito Aline Arruda)
Carlo Milani

Sobre a mudança de idade do protagonista:
Dentro do processo de adaptação, teve uma série de escolhas. Tivemos dificuldades, que foram discutidas à exaustão. A história é um clássico, tem uma atemporalidade pura. Avaliando a adequação dessa história ao público atual, julgamos ideal mudar a perspectiva do protagonista. Nos pareceu mais interessante que fosse um menino, e não um adulto estudante de medicina, como no livro. Até porque os meninos nessa idade têm um nível de informação que torna o seu envolvimento com o rumo da investigação muito mais interessante.

Sobre fazer um filme de tema adulto com uma abordagem infantojuvenil:
É um risco que você corre, pois você tem que contemplar os leitores do livro, como eu, na faixa dos 50 anos. Na sessão para professores, tivemos uma com 77 anos que leu os contos na revista “O Cruzeiro” em 1953, sendo publicado em vinte episódios semanais. Posteriormente, leu o livro em 1972 e estava com a gente vendo o filme. Veja o tamanho do desafio, a escala de idades e gerações que tínhamos de atingir, contemplando os leitores e o público para o qual o livro se destina hoje. Isso também corroborou com a escolha da idade do protagonista, pois como ter o assassinato de uma criança na virada do primeiro ato e ainda assim esse filme ser próprio para o público a partir de 12 anos? Ficamos muito atento às escolhas de estética, decupagem, de como expor a violência. Não há como não tê-la. Afinal, trata-se de uma história sobre uma série de assassinatos. Fomos muito criteriosos, buscando todo o tempo essa proteção para contar essa história adequadamente para as crianças e manter o interesse do público adulto.

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Marcos Caruso e Sara Silveira, O Escaravelho do Diabo (Crédito Aline Arruda)
Sara Silveira

Sobre produzir o seu primeiro filme para todos os públicos:
Todos vocês sabem que a Dezenove é uma produtora de filmes de autor, trabalhei com o Carlos Reichenbach durante muitos anos. Estava na minha vibe, seguindo com a minha vida com os filmes que mostram a minha preocupação com a educação em um país como o nosso, mais próximos de cooperar para um Brasil melhor. Aconteceu uma coisa doida entre o Carlo Milani e eu. Um dia entro em um lugar com a Betty Faria, uma amiga mútua, e ele. Milani olhou para mim e disse que faria um filme comigo. Todos querem fazer um filme comigo, desculpem a falsa modéstia (risos). Passou um tempo e um dia fui chamada na Globo. Contaram-me que tinham um projeto para mim. Achei estranho, pois os meus filmes são diferentes, cabeções. Estava em uma reunião com algumas pessoas e perguntei se o filme já estava com um diretor. Responderam que ele estava para chegar. De repente, batem na porta é, pum!, é o Milani. “Não te falei que você ia fazer um filme comigo?”, ele falou. Mas onde foi que achei esse mala?

Foi ele que me escolheu. Eu o adoro, é um diretor muito próximo de mim. Educado, carinhoso. Ele me lembra o Reichenbach. Não pela cinematografia, pois ele está começando, mas pela delicadeza, a educação com o elenco e a equipe. Tem, ao mesmo tempo, a audácia para resolver os problemas e fazer o filme. Viverei agora um momento novo em minha carreira. Tenho 65 anos e é a primeira vez que estou fazendo um filme de público. Verei como será isso. Peço a Deus que o filme faça público. Quem sabe o Milani e eu não fazemos um novo da série Vaga-Lume?

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Marcos Caruso, O Escaravelho do Diabo (Crédito Aline Arruda)
Marcos Caruso

Sobre o equilíbrio entre humor e drama
Eu trabalho o drama com a chave da comédia e vice-versa. Claro que você não pode trabalhar o drama com a chave da comédia aberta, mas você ainda pode trabalhar com o drama com a chave do bom-humor. Aqui eu percebi que além de dar para fazer, tive o aval do Milani, que acreditou que era possível atingir esse resultado. Ele me contou que há momentos muito engraçados no filme. Acredito que há, pois me preocupei com o drama desse personagem, um detetive em final de carreira, e fazê-lo com leveza. Mas o grande responsável por esse feito – e claro eu também sou, pois trabalho com isso – é o Carlo Milani. Ele abraçou a minha interpretação e falamos com a mesma língua lindamente até o final.

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Thiago Rosseti, O Escaravelho do Diabo (Crédito Aline Arruda)
Thiago Rosseti

Sobre o livro “O Escaravelho do Diabo”
Eu não havia lido o livro, na escola eles pediram outros títulos. Quando descobri que faria o filme, eles não deixaram que eu o lesse justamente para não pegar qualquer influência. Como há uma inversão na história, não me deixaram lê-lo para eu não pegar a influência do irmão mais velho para trazer algo para o mais novo.

Sobre a moral que a história carrega:
Penso que o filme diz que qualquer besteirinha no bullying do passado pode se transformar em um grande pesadelo no futuro. Qualquer coisa que você fale sobre uma pessoa, como o apelido que ela não gosta, para você não pode significar muito, mas para a outra pode virar um grande trauma.

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Crédito das imagens: Aline Arruda.

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