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Entrevista com Mateus Solano, ator de “Em Nome da Lei”

Quem acompanha Mateus Solano desde “Mateus, o Balconista”, deduzia que o ator poderia ir longe caso descoberto pela pessoa certa. Foi a minissérie “Maysa: Quando Fala o Coração” que mudou completamente a carreira desse brasiliense de 35 anos, que vive o seu segundo protagonista no cinema após o ótimo suspense “Confia em Mim“.

No longa “Em Nome da Lei”, Solano vive um personagem inspirado no juiz federal Odilon de Oliveira, que há anos vive isolado e com escolta policial devido as ameaças de morte que recebe constantemente por desmantelar o tráfico de drogas na fronteira do Brasil com o Paraguai. É sobre ele que mais reflete na entrevista a seguir cedida pela Palavra Assessoria em Comunicação.

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Qual foi sua reação ao convite do Sergio Rezende para fazer “Em Nome da Lei”?

A primeira coisa que pensei foi: “Sergio Rezende? Caramba!”. Ele é uma referência para mim, como ator e como espectador. O convite do Sergio me deu um pouco a sensação de onde eu cheguei na carreira; estou sendo chamado por pessoas que me construíram como ator. Já estava dentro do projeto só por ser dele, o Sergio. Depois que li o roteiro, fiquei mais animado ainda, porque fala de temas importantes, como honestidade, e de até onde podemos ser honestos.

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Como descreveria o juiz Vitor, o seu personagem?

Ele é um cara honesto, mas ingênuo também, porque acha que a honestidade vai resolver, por si só, a criminalidade naquela região. O Vitor carrega a arrogância natural do jovem que quer mudar o mundo, enfrentar o status quo, os paradigmas sociais. Acha que, como tem a lei do lado dele, vai transformar tudo da noite para o dia. Logo descobre que há muitos lados da mesma moeda e que, para vencer o inimigo, ele tem que jogar com ele, e aprender como ele joga.

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A produtora Mariza Leão descreve o Vitor como um herói imperfeito…

Essa é uma dos grandes sinais de maturidade do roteiro do Sergio. O discurso do Vitor é muito bonito mas, na hora de colocá-lo em prática, esbarra em muitas coisas, até na própria arrogância. Ele chega com ideias novas como que dizendo “façam o favor de acatá-las e não discutam!”, e vai dando com a cara na porta, até encontrar um caminho diferente. Essa humanidade do personagem é muito importante: não há maniqueísmo.

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E isso vale para todos os personagens, não?

Sim. O próprio Gomez (Chico Diaz), o traficante e contrabandista da história, ou seja, o grande vilão, é mostrado sem maniqueísmo. Porque a corrupção faz parte de nós, está no nosso sangue, em todas as áreas. É difícil pedir o fim da corrupção quando ela é servida já no nosso café da manhã. É tudo torto, nada é preto no branco.

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Que tipo de pesquisas fez para construir o Vitor?

O Vitor não foi um personagem que compus com a ajuda de livros e outros tipos de referência. Ele é um cara que chega à cidade com as melhores intenções possíveis, mas descobre que só isso não é suficiente para resolver os problemas. Ele sobrevive a um atentado, permite que pessoas corram risco de vida por causa dessa impetuosidade dele. O roteiro por si só me deu material para trabalhar. Tirando a questão sentimental, a relação dele com a Alice (Paolla Oliveira), o roteiro contém muita informação. “Em Nome da Lei” não é um filme que o ator precisa entender o que o personagem está sentindo naquele momento; é uma trama de ação concreta, sem grandes sutilezas emocionais.

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Então não houve necessidade de longos ensaios?

Fizemos, basicamente, leituras do roteiro na casa do Sergio, nas quais ele dava orientações sobre para aonde cada personagem ia. A calma do Sergio é contagiante, ele é um cara muito atento e generoso. Uma coisa que admiro em um artista é a sua juventude, independentemente da idade que ele tem, pelo jeito em que vai aproveitando as coisas que vão surgindo no caminho, sem se agarrar a ideias preconcebidas.

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Já se acostumou com a rotina de um set?

Minha história vem do teatro. Cinema, para mim, é coisa nova. Acho que participei de uns cinco filmes até agora, se muito, e todos diferentes um do outro. Ainda acho meio estranho essa coisa de juntar uma galera para trabalhar, morar com ela durante algum tempo, ficar íntimo dessas pessoas e, depois de algumas semanas, todos irem cada um para o seu canto, e só vai ver o filme meses depois. É diferente de fazer uma peça, quando a gente não se desgruda nem depois que a temporada termina; ou mesmo da TV, que exige convivência diária por muitos meses seguidos. Ainda não me acostumei com essa característica meteórica do cinema.

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