Skip to content

Entrevista com Paolla Oliveira, atriz de “Em Nome da Lei”

Mesmo que a prioridade de Paolla Oliveira seja a televisão, a atriz nunca deixou de provocar uma forte impressão no cinema. Como em “Entre Lençóis“, em que aparece despida a maior parte do tempo ao lado de Reynaldo Gianecchini. No entanto, o seu melhor momento segue sendo Catarina, a protagonista do gracioso “Uma Professora Muito Maluquinha“.

Com Sérgio Rezende, Paolla Oliveira vive a sua primeira protagonista séria no thriller Em Nome da Lei”, ainda que o papel por vezes ingrato evidencie mais o seu carisma como o interesse romântico de Mateus Solano do que a garra em viver a única autoridade feminina no núcleo central. Cedida pela Palavra Assessoria em Comunicação, a entrevista a seguir traz Paolla comentando sobre a preparação para o papel.

.

O que você achou da promotora Alice, sua personagem no filme?

Eu vinha da minissérie “Felizes Para Sempre?”, que tem características muito diferentes do que projeto do Sergio propunha. O desafio de “Em Nome da Lei” era fazer uma personagem mais neutra, que não tivesse essa característica feminina muito forte, de abordá-la pelo lado do romance, que tem um peso menor na trama. Ela está ali por causa do juiz Vitor (Mateus Solano), tentando fazer o trabalho dela de forma correta. Alice tem uma ligação maior com o Vitor porque eles compartilham dos mesmos objetivos e valores. Então, minha preocupação era entender como uma promotora se comporta, e como profissional, como ela se relaciona com policiais e juízes.

.

E onde você foi buscar essas informações para ajudar a compor a personagem?

Procurei um promotor do Rio e troquei ideias com ele. Queria entender melhor essa relação de subordinação entre os profissionais do judiciário, e como eles se comportavam dentro do fórum. Ele me explicou tudo, que cada um exerce um tipo de poder, mas não estão subordinados. Já tinha perguntado tudo que fora possível com parentes que trabalham nessa área, mas foi bom ter conversado com uma pessoa de fora. A gente também foi buscar referências em filmes sobre a fronteira, guerra contra o narcotráfico e gângsteres, sugeridos pelo Sergio.

.

A fronteira já lhe era familiar?

Ainda não conhecia aquela região do Mato Grosso do Sul. Foi uma experiência bacana. Visitei lugares mais afastados do set. Fui até o Paraguai! É engraçado perceber as pequenas diferenças entre países vizinhos, coisas que são permitidas lá e proibidas aqui, e vice-versa. A gente pegar uma permissão para atravessar do Brasil para o Paraguai, tem multas aqui que não existem lá, do outro lado. Mas estamos falando do lado mais puro da fronteira. O filme trata de como se vive numa área em que o legal e o ilegal se misturam, e sobre que tipo de justiça pode ser feita num lugar em que as pessoas vivem nessa confusão.

.

É uma região violenta?

Não tive essa impressão. Pelo menos em Dourados, a cidade onde filmamos. A violência de que fala o filme é de outra ordem. “Em Nome da Lei” mostra, por exemplo, que as pessoas se revoltam contra a ação dos juízes que estão tentando prender os traficantes da região. A contravenção é tão bem organizada que a presença de lei ali acaba representando a desordem. A maior violência acontece entre as organizações criminosas que atuam na região.

.

Como foi reencontrar o Mateus Solano, com quem contracenou na novela “Amor à Vida”, agora no set de um filme?

Foi muito bom nos reencontrarmos tanto tempo depois da novela. O engraçado é que, na TV, ele tinha um personagem quase cômico; e no filme ele está num personagem tão sério. Como interpretamos irmãos durante meses na novela, eu entrei no set ainda me sentindo um pouco irmã do Mateus, e ele lá, fazendo o Vitor, um personagem seríssimo. E eu me perguntava: “Meu Deus, cadê o Félix da novela?”.

.
Este é o seu sétimo longa-metragem em pouco mais de 10 anos de carreira. Gostaria de fazer mais cinema?

Só não fiz mais filmes até agora porque não me aparecerem mais convites. Em cinema a gente pode fazer coisas diferentes, experimentais; em TV isso é muito mais difícil esse tipo de experimentação. Do ponto de vista da atuação, não vejo diferença no fazer entre as duas mídias. A distinção está na expectativa que ele gera. O filme é uma obra fechada, você vê o arco de evolução do personagem; telenovela é uma obra aberta, a personagem vive em função da resposta do telespectador ou de algo que o coloque na berlinda.

.
A que você credita a falta de mais convites para cinema? Que tipo de filme gostaria de fazer?

Gostaria de fazer escolhas não tão populares, como tenho feito na TV, e acho que as pessoas não me enxergam fazendo outro tipo de personagem em filmes. Fazer cinema no Brasil é complicado, lento, burocrático, e isso atrapalha muito a produção, em termos de quantidade e diversidade. Mas é no cinema que gostaria de fazer coisas diferentes.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: