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Resenha Crítica | Hush: A Morte Ouve (2016)

Hush, de Mike Flanagan

Mesmo não sendo um bom filme – e provavelmente por lidar com um mistério originalmente encenado para um curta e que ressurge sem fôlego para um filme com mais de uma hora e meia -, “O Espelho”  garantiu a Mike Flanagan um olhar mais atento ao seu inegável talento como diretor, pois não faltam momentos bem conduzidos pelo americano de 37 anos nessa produção de 2013. Antes de lançar “O Sono da Morte”, Flanagan tinha escondido debaixo da manga “Hush: A Morte Ouve”, um lançamento exclusivo da Netflix.

A realização é uma síntese do que há de melhor em uma produção com recursos mínimos, mas amparada por uma criatividade somente possível no campo do terror. Com apenas dois protagonistas, três personagens secundários, um cenário e uma duração de 80 minutos, Flanagan ainda assina um roteiro em que a maior parte de seu texto não é verbalizado. Explica-se a razão: Kate Siegel, também corroteirista, interpreta Maddie, uma mulher surda e muda.

Escritora de um único best seller, Maddie deve a sua deficiência a um trauma que lhe acometeu ainda jovem, sendo totalmente dependente de ferramentas tecnológicas para tornar possível a sua vida a só em uma residência afastada da cidade grande. Com o fim de um relacionamento, ela tem como principal ombro amigo a sua vizinha Sarah (Samantha Sloyan), que se esforça em aprender a linguagem de sinais para ter uma aproximação mais íntima com Maddie.

Após o breve encontro, um sujeito mascarado surge na propriedade de Maddie para cometer um crime. Interpretado pelo versátil John Gallagher Jr. (que pode ser visto em “Rua Cloverfield, 10”), esse psicopata estranha o fato dela estar alheia ao seu ato brutal, logo compreendendo a falta de funcionalidade de dois dos seus sentidos.  Por isso mesmo, vê Maddie alguém perfeito para fazer um jogo de gato e rato, testando os seus limites até que ela ceda.

Há 21 anos, Anthony Waller fez “Testemunha Muda”, um filme delicioso em que a atriz Marina Zudina interpreta uma personagem em uma situação semelhante a de Kate Siegel em “Hush: A Morte Ouve”. Porém, o progresso de sua narrativa investia em um tom de humor, muito bem-vindo ao contexto trabalhado: os bastidores da produção de um slasher movie. Flanagan, por outro lado, enfatiza o horror a partir de uma violência cada vez mais brutal que não poupa a sua protagonista.

A escolha funciona porque ela carregam uma perspicácia e um drama que progridem em paralelo. Ainda que não possa ouvir os passos de seu algoz ou clamar por socorro, Maddie raciocina como se dentro de um processo criativo para ver as saídas para a sua obra literária, desenhando mentalmente a decisão mais favorável para chegar ao fim da história como uma sobrevivente. Por outro lado, a figura do maníaco soa também como a materialização de seus medos mais íntimos, relacionando a chance em derrotá-lo como a superação do que a fragiliza. Se essas linhas de interpretação não o interessam, “Hush: A Morte Ouve” ainda assim não deixa de ser um ótimo home invasion.

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