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Resenha Crítica | Vovó Está Dançando na Mesa (2015)

Granny’s Dancing on the Table, de Hanna Sköld

.:: 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Na edição do ano passado, a Mostra Internacional de Cinema trouxe ao público um panorama completo do que de melhor e mais importante o cinema nórdico anda produzindo. Foram mais de 60 títulos exibidos, cada um flagrando as particularidades da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Entre todos, o sueco “Vovó Está Dançando na Mesa” foi o mais original e incisivo presente na seleção.

Segundo longa-metragem de Hanna Sköld (de “Nasty Old People”, célebre por ser o primeiro filme a ser lançado com exclusividade no site de compartilhamentos gratuitos The Pirate Bay), “Vovó Está Dançando na Mesa” é composto por dois momentos – ou talvez três, dependendo da sua interpretação dos fatos. Eini (Blanca Engström) é a protagonista, uma garota de 13 anos que vive isolada com o seu pai (papel de Lennart Jähkel) em uma cabana na floresta a quilômetros da civilização.

Quase sem recursos para se distrair, Eini passa a maior parte do seu dia cumprindo com as regras estabelecidas pelo seu pai, um homem amargo que a pune severamente pelo menor dos deslizes. Nas ocasiões em que ele a deixa sozinha para ir à caça de animais, Eini se refugia em sua própria imaginação, recordando a infância em que tinha a companhia de sua mãe e avó.

Para a encenação desse passado, “Vovó Está Dançando na Mesa” recorre à técnica de stop motion, com resultados mais rústicos que a animação britânica “Wallace & Gromit”, por exemplo. Mais do que o cenário e os personagens, os dois períodos são marcados por um histórico de violência contra essas mulheres, realmente perturbador de se testemunhar.

O experimento de Hanna Sköld, que ganhou vida com o apoio de participantes da campanha que inaugurou no Kickstarter, é cheia de riscos, uma vez que trabalhar em paralelo com o live-action e o stop motion pode provocar uma dissintonia ao ponto de oferecer a sensação de que não estamos diante de uma obra homogênea. Felizmente, as ambições da realizadora superam o impasse.

Com uma habilidade sem igual para construir uma atmosfera de isolamento e perigo, “Vovô Está Dançando na Mesa” ainda desconcerta com as implicações do amadurecimento de Eini, o que a motiva a traçar de imediato um plano de fuga a partir da sua ciência sobre a existência de uma realidade exterior. O que não é assegurado nesta “fábula”, no entanto, é a descontinuidade do estigma da insegurança, presente inclusive na abertura de portas para um novo mundo. Um filme que deve ser descoberto.

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