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Resenha Crítica | O Caçador e a Rainha do Gelo (2016)

The Huntsman: Winter’s War, de Cedric Nicolas-Troyan

A sequência de “Branca de Neve e o Caçador” já estava condenada muito antes dela se formar como “O Caçador e a Rainha do Gelo”. Aprovado pela Universal após “Branca de Neve e o Caçador” render mundialmente 400 milhões de dólares para um orçamento de 170 milhões, a pré-produção da continuação foi interrompida com o escândalo midiático provocado pelo relacionamento de Kristen Stewart com o diretor Rupert Sanders enquanto namorava com Robert Pattinson.

Diante do impasse, o estúdio assumiu uma postura discreta ao dispensá-los, trabalhando com a estratégia de seguir em frente com uma história que trouxesse o caçador Eric (Chris Hemsworth) como o grande protagonista. Para isso dar certo, era preciso um nome que pudesse conferir soluções para as lacunas preenchidas. Eis um novo impasse: contratado, Frank Darabont (de “Um Sonho de Liberdade”) se desvinculou imediatamente do projeto por diferenças criativas. A bomba enfim recaiu nos colos de Cedric Nicolas-Troyan, supervisor de efeitos visuais de “Branca de Neve e o Caçador” e praticamente sem qualquer experiência como diretor.

A norma é clara: se um filme apresenta tantos problemas durante a sua realização, eles certamente serão revertidos em um produto final problemático, quase indigesto. Mas há exceções e “O Caçador e a Rainha do Gelo” é uma delas. Verdade que o público não tem comparecido ao cinema para tirar o filme da zona do fracasso comercial e a crítica foi feroz com as suas avaliações. Por outro lado, há aqui um desejo em legitimar as intenções que permitiram a fuga de seu engavetamento permanente.

Escrito por Craig Mazin e Evan Spiliotopoulos, o roteiro é até mesmo esperto ao driblar a ausência da Branca de Neve, organizando uma mistura de prequel com sequência. No primeiro ato, conhecemos Eric ainda na infância, afastado de seus pais a mando de Freya, a Rainha do Gelo (Emily Blunt). Testemunha de uma tragédia íntima que a fez obter o poder de congelar tudo ao seu redor, Freya é a irmã mais nova de Ravenna (Charlize Theron, que segue irresistível em uma composição afetadíssima) e foge de sua morada para construir um império de órfãos onde o amor é proibido.

Já no segundo ato, temos Eric vagando pela floresta já cumprindo com os seus deveres em assegurar o reinado da Branca de Neve. Duas informações interrompem o seu trajeto. A primeira é sobre a influência que o espelho de Ravenna está exercendo sobre Branca de Neve, um indício de que há uma força oculta ainda viva que precisa ser derrotada. A segunda vem nas formas de Sara (Jessica Chastain), um amor do passado que julgou morto que o reconectará com Freya.

Sem uma heroína de uma fábula infantil consagrada à frente da história, “O Caçador e a Rainha do Gelo” é menos engessado na arquitetura de sua fantasia. Com uma linha do tempo bem resolvida, o texto enfatiza ainda mais a cobiça pelo poder sem se furtar das motivações dos personagens como elementos essenciais de narrativas desse segmento, como a pureza para a derrota de um inimigo que encarna o mal ou age sob a sua influência. O humor, muito bem representado pelos anões interpretados por Nick Frost e Rob Brydon, vem como mais um atrativo para uma aventura que não merece ser descartada com tanta fúria.

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