Resenha Crítica | X-Men: Apocalipse (2016)

X-Men: Apocalypse, de Bryan Singer

Após Tim Burton com “Batman” e “Batman – O Retorno”, Bryan Singer foi o primeiro cineasta que transformou em realidade o projeto de encarar os quadrinhos como uma fonte potencialmente lucrativa no cinema. Seu “X-Men – O Filme” abriu as portas para as histórias de super-heróis se transformarem em gênero, hoje o mais poderoso deste jovem século. Foi também o mentor de uma franquia madura em comparação com a concorrência, ainda que não isenta de algumas fragilidades.

Foi pensando nos baixos que Singer voltou ao posto de diretor em “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”, mais um corretivo do que um ótimo filme, uma vez que é clara a intenção em reparar, por exemplo, o extremismo de “X-Men: O Confronto Final”, episódio mais contemporâneo responsável por matar alguns personagens e remover a mutação de outros. Por outro lado, há também a estratégia de dar novos horizontes à história, mesmo que para isso seja preciso estar no passado. É o que faz “Apocalipse”, ambientado nos anos 1980.

Interpretado por Oscar Isaac, Apocalipse vem como o capítulo final de uma humanidade marcada por conflitos, bem como a promessa de um recomeço em que somente os mutantes que abraçarem o seu propósito terão privilégios em seu domínio. O seu despertar vem em um momento em que figuras já conhecidas como Jean Grey (Sophie Turner) e Scott (Tye Sheridan) ainda são jovens às voltas com as suas habilidades recém-descobertas, ao passo que outros como Magneto (Michael Fassbender) e Mística (Jennifer Lawrence) estão prestes a saírem do anonimato.

Por vezes, é possível reconhecer em Apocalipse o clima de fraternidade de “X-Men: Evolution”, reinaginação animada bem popular no Brasil que trazia a mistura de mutantes veteranos com calouros. Mas há também um sentimento de que as coisas rumarão para consequências decisivas, uma vez que “Apocalipse” é também o fechamento de um ciclo, a conclusão de uma segunda trilogia dos “X-Men” nos cinemas.

A limitação vem justamente nas formas do vilão que dá nome ao filme, considerado no universo Marvel o mais ameaçador já concebido. Aqui, Apocalipse parece uma criatura maligna de “Power Rangers”, moldado com durepox que muda de cor a cada aparição e que detém uma superioridade reduzida em sua peregrinação para escalar mutantes caracterizados como as vítimas de Freddy Krueger em “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos”.

Considerando outros nós não muito bem atados, o que inclui o anacronismo de Angel (Ben Hardy) – o personagem só surgiria 25 anos depois em “O Confronto Final” – e a ponta cômica de Stan Lee naquele que pretende ser um dos momentos mais dramáticos do roteiro, “Apocalipse” ainda assim mantém a qualidade esperada sustentada pela franquia. O mérito vem justamente da assimilação de personagens com dilemas que já conhecemos, mas agora com um novo destino ainda não escrito.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

7 Comentários em Resenha Crítica | X-Men: Apocalipse (2016)

  1. “X-Men: Apocalipse” é a grande estreia da semana e pretendo assistir ao filme sem expectativas!

  2. Enfim, você viu que não curti. Principalmente, como você bem colocou, por causa do vilão. Apocalipse é vilão de Jaspion, ridículo, ignorante com voz de megafone, menos expressivo que Darth Vader e RoboCop. Mas não achei o filme um desastre como “Batman vs Superman”. Apenas… fraco. Abs

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