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Resenha Crítica | Uma Loucura de Mulher (2016)

Uma Loucura de Mulher, de Marcus Ligocki

Com a crise do cenário político em pauta desde a vitória de Dilma nas eleições presidenciais de 2014, muitas produções nacionais vêm pegando onda na oportunidade para satirizar ou problematizar o caráter corrompido de autoridades e as consequências para gente comum que vive em um país desestabilizado. Algumas têm um oportunismo mais evidente, como “O Candidato Honesto” e “Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final”, ambos protagonizados por Leandro Hassum. Já outras contaram com a sorte de apostar em uma abordagem que vai naturalmente ao encontro de nosso contexto atual, como “Em Nome da Lei” e “Uma Loucura de Mulher”.

Porém, não basta tratar sobre o que está na boca do povo para que o resultado seja automaticamente relevante e o pecado de nossa cinematografia atual está na pertinência de temas usados com o único pretexto de reaproveitar fórmulas cômicas ou dramáticas surradas. Por isso, visualizar Marcela Temer na personagem de Mariana Ximenes, Lúcia, é apenas um efeito não intencional que sustenta “Uma Loucura de Mulher” por meros minutos.

Explica-se: casada com o candidato a governador Gero, Lúcia é o molde perfeito da “bela, recatada e do lar” sustentado por nossa agora primeira-dama. Mas por trás dos eventos públicos, há uma verdadeira esposa troféu questionada até mesmo pelo vestido que optou em usar em uma celebração decisiva para a campanha eleitoral de Gero. Uma “fiscalização” de imagem que a protagonista dá um basta a partir do instante em que armam a sua internação em um manicômio por não interpretarem bem o tapa como resposta a um assédio de influente líder político.

Da bela mansão em Brasília, Lúcia encontra abrigo no antigo apartamento de seu falecido pai no Rio de Janeiro. Nada que impeça os chavões de persegui-la no que se pretende ser uma comédia romântica. Há a melhor amiga, Dulce (Miá Mello), que está há cinco anos em uma relação secreta com Gero, bem como o reencontro com o primeiro amor da infância, Raposo (Sergio Guizé, sem tino para o humor), hoje um requisitado cirurgião plástico. Salve-se Guida Vianna como Rita, aquela típica vizinha mexeriqueira que adora ouvir tudo o que se passa no apartamento do lado com um copo na parede e que teria sido a principal amante do pai de Lúcia.

Antes produtor, Marcus Ligocki faz a sua estreia como diretor e roteirista com tentativas de elevar a qualidade do material com traços da screwball comedy. Maior evidência disso está na clássica situação de encontros e desencontros entre personagens em um apartamento, mas executada sem nenhum cuidado além do geográfico. Sem um bom texto, ela só se justifica como uma vontade de fazer humor através do constrangimento, trazendo o personagem de Bruno Garcia com a necessidade de usar o banheiro para depois se despir diante de Mariana Ximenes como uma tentativa pífia de conquistá-la. Mais um caso de comédia que chega aos cinemas com o prazo de validade já vencido.

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