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Resenha Crítica | Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo (2016)

Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo, de Afonso Poyart

Lançado há poucos meses, “Presságios de Um Crime” parece ter sido uma experiência internacional que não entusiasmou o diretor Afonso Poyart (leia entrevista aqui). Vindo do elogiado “2 Coelhos”, a produção, originalmente pensada como uma sequência para “Seven: Os Sete Pecados Capitais”, acumulou críticas somente medianas e ainda enfrenta um engavetamento nos Estados Unidos enquanto a sua produtora, Relativity Media, se recupera de uma crise financeira.

O próprio Poyart admitiu que “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo” veio em um período de questionamentos ao voltar ao Brasil. É também aquele terceiro filme característico de uma filmografia que tende a traçar os horizontes de seu realizador: com uma estreia promissora e um segundo filme nem um pouco unânime, as virtudes e pontos a aparar se consolidam em uma terceira tentativa.

A produção certamente sofreu um baque com a derrota de José Aldo por nocaute contra Conor McGregor no UFC 194 em dezembro do ano passado. A queda do mito não compromete a apreciação de sua cinebiografia, na qual é representado por José Loreto, um intérprete então afeito a novelas. De temperamento explosivo, José Aldo deve a sua influência à vivência em uma periferia marcada pela violência e ao pai (Jackson Antunes), um alcoólatra que agride constantemente a sua mãe (interpretada por Claudia Ohana).

A só com uma figura paterna autodestrutiva, Aldo prefere refazer a vida no Rio de Janeiro, residindo no quartinho de uma academia e trabalhando em uma lanchonete enquanto desenvolve  as habilidades que o tornariam o lutador do qual hoje é conhecido. Mas há as influências de grandes filmes de luta, em que a glória não está associada a vitória contra um oponente e sim na superação de um passado recente, na conciliação com uma família desestruturada.

Poyart compreende que essa nuance é o que marcou algumas produções com protagonistas desestruturados que saíram da selvageria das brigas para mergulhar na filosofia da luta. Ainda assim, o seu estilo não encontra sintonia com um texto com escolhas equivocadas. O embate é um momento de foco total, em que a câmera deve estar presente a todo o momento com um personagem que tenha em seu olhar todo o fardo que carrega, uma regra infligida em “Mais Forte que o Mundo”.

O exibicionismo vai além das passagens de treino (os 360 graus ininterruptos enquanto Aldo pula corda é canhestro), com cortes frenéticos e a inclusão de flashbacks que enfatizam as motivações do herói. No entanto, o mais questionável é o apego ao pai de Jackson Antunes quando a figura fragilizada é a mãe de Claudia Ohana. É a redenção que move o filme e ela não emociona.

One Comment

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Não sou muito fã de UFC e confesso que não saberia dizer quem é José Aldo, mas gosto do trabalho de Afonso Poyart como diretor e assistiria a esse filme por causa dele, única e exclusivamente.

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