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Resenha Crítica | Rocco e Seus Irmãos (1960)

Rocco e i suoi fratelli, de Luchino Visconti

Ainda que “Roma, Cidade Aberta”, obra de Roberto Rossellini produzida quando a Segunda Guerra Mundial se dissolvia, seja vista como o marco que consolidou o neorrealismo italiano, pode-se afirmar que o termo deve a sua origem a Luchino Visconti, cujo “Obsessão” de 1943 já comportava um estilo semidocumental que notabilizaria a corrente artística.

Quatro longas-metragens depois, Visconti faz “Rocco e Seus Irmãos” carregando algumas características que marcou o início de sua carreira. No entanto, é o ponto em que há uma transição em sua filmografia, conferindo à saga familiar um ar grandiloquente que viria a ser reprisado em seus dramas seguintes, como “O Leopardo” e “Os Deuses Malditos”.

Ainda que o título dê ênfase ao personagem Rocco Parondi (Alain Delon), o texto faz uma divisão em capítulos muito bem definida para que cada ponta de um quinteto de irmãos tenha o seu protagonismo. Um quinteto que circula em torno de uma figura matriarcal, Rosaria (Katina Paxinou), que foge da pobreza da vida rural para tentar prosperar em Milão.

Mais velho entre os irmãos, Vincenzo (Spiros Focás) já vive na cidade e tenta conquistar Ginetta (Claudia Cardinale). Os demais irmãos, Rocco, Simone (Renato Salvatori), Ciro (Max Cartier) e Luca (Rocco Vidolazzi), vão se submetendo a todas as atividades possíveis até conquistarem uma estabilidade profissional, seja clamando por neve para caçar bicos que remunerem por sua retirada, seja descobrindo uma vocação.

Uma rivalidade se impõe entre Rocco e Simone. Agora o mais velho em casa, Simone é um modelo natural para os seus demais irmãos. No entanto, acaba sucumbindo à ganância justamente quando é notado como um lutador de box promissor, carreira que passa a ser seguida por Rocco assim que conclui o serviço militar. Há ainda a entrada da prostituta Nadia (Annie Girardot), a princípio uma namorada de Simone e, posteriormente, um interesse romântico de Rocco.

Hoje tradicional, a premissa sobre a busca por ascensão social recebe um tratamento único pelas mãos de Visconti, penalizando especialmente Rocco e Simone por uma decadência moral como uma consequência  para as ambições em um modo de vida capitalista: o primeiro é capaz de passar por cima do que é correto para preservar a honra de sua família enquanto o segundo caminha a passos largos a um precipício ao perder o papel de autoridade antes pertencente ao seu falecido pai.

Mesmo a precariedade sonora, resultando em uma dublagem realizada inclusive por intérpretes de fora da encenação, traz uma intensidade extra aos atritos, sempre enfatizando uma expansividade característica nos italianos. Um aspecto que ganha uma ressonância ainda maior com a bela restauração supervisionada pelo próprio diretor de fotografia Giuseppe Rotunno, responsável por nebular os rumos trágicos da história.

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