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27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo | Parte #1

Começa hoje, 24 de agosto, o 27º Festival Internacional de Curtas-Metragens. Realizado pela Associação Cultural Kinoforum, o evento traz a São Paulo uma programação com aproximadamente 400 títulos de todos os cantos do mundo, dando ênfase a temas como direito da mulher, inclusão, liberdade de expressão e xenofobia. Tratamos aqui sobre alguns dos destaques do festival, que ocorrerá até o dia 4 de setembro, sempre com sessões e atividades gratuitas.

Aproveitando a ocasião, comentamos a seguir sobre seis títulos apresentados na semana passada para a imprensa, uma seleção que traduz muito bem a diversidade do festival.

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Os Cravos e a Rocha (idem)
Portugal, 16′, dir. Luísa Sequeira

25 de abril de 1974 foi uma data muito importante para a história de Portugal. Trata-se do momento em que se instaurou um movimento social que determinou os rumos democráticos que o país viria a tomar. Batizado como Revolução dos Cravos, o episódio foi testemunhado de perto por Glauber Rocha, mas o curta nunca dá liga à tentativa de aproximar o engajamento político do cineasta baiano com a mobilização documentada.

Decibéis (Décibels)
França, 3′, dir. Léo Verrier

Parte do programa especial Coleção Canal+: Desenhar é Preciso, a animação é também uma ode à liberdade de expressão, um modo de fazer alusão ao trágico atentado terrorista à redação do periódico Charlie Hebdo. Divertido, o curta francês acompanha os desentendimentos entre amigos durante a seleção musical para embalar uma festa.

Os Barcos (Los Barcos)
Chile, Portugal, 24′, dir. Dominga Sotomayor Castillo

Presente na seleção oficial do Festival de Roterdã deste ano, esta realização de Dominga Sotomayor Castillo começa bem ao flagrar o desconforto de uma atriz (Francisca Castillo) em representar em uma mostra de cinema em Lisboa o diretor de um filme no qual tem uma participação secundária. Pena que o roteiro não se sustente, acompanhando de modo insípido uma jornada aparentemente sem destino.

O Delírio é a Redenção dos Aflitos (idem)
Brasil/PE, 21”, dir. Fellipe Fernandes

Promissora a estreia de Fellipe Fernandes. Nascido em Olinda e formado em jornalismo, Fellipe parece influenciado por esse cinema de sugestões sobrenaturais que vem ganhando cada vez mais adeptos – “O Som ao Redor” é uma influência evidente. Vivida por Nash Laila, Raquel é uma jovem desesperada para abandonar com a família o prédio em que vivem, que tem riscos de desabar. Há algo de muito perturbador em uma ação extrema nos minutos finais, além do sentimento de que a premissa renderia um bom longa-metragem.

A Cabeça Oculta (The Head Vanishes)

A Cabeça Oculta (The Head Vanishes)
França/Canadá, 9′, dir. Franck Dion

Uma pena que a filmografia de Franck Dion seja tão pequena. Quarto curta-metragem de sua carreira, “A Cabeça Oculta” é belamente concebido e parece inebriado pela obra de alguns artistas surrealistas, como René Magritte. Jacqueline é uma senhora que se movimenta com cabeça descolada de seu corpo, embarcando em uma viagem de trem que ampliará a sua desorientação. A conclusão entrega uma triste constatação sobre o fim da vida e as memórias que se dissipam.

Crônicas do Meu Silêncio (idem)
Brasil/SP, 9′, dir. Beatriz Pessoa

Realização claramente concebida por um grupo universitário, acompanha garotas anônimas que se cruzam não apenas pelo trânsito em pontos de São Paulo, como também pelos relatos que partilham sobre as violências e abusos que sofreram por uma figura masculina. A ideia é melhor que a execução, pois Beatriz Pessoa faz com que as narrações em off inutilizem as interpretações silenciosas. Ainda assim, as boas intenções validam o esforço.

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