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27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo | Parte #2

Em nossa segunda parte da cobertura do 27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, comentamos brevemente sobre quatro títulos presentes no recorte Mostra Brasil 1, o qual prestigiamos na noite deste último sábado, 27 de agosto, no CineSesc. Trata-se de uma seleção quase impecável, com destaque especial para “Estado Iminente”, até o momento, o nosso curta favorito da edição.

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Solon
Brasil, 16′, dir. Clarissa Campolina

De caráter experimental, o curta-metragem de Clarissa Campolina acompanha o trajeto de uma criatura disforme em um ambiente de constantes mudanças climáticas, sempre enfatizando a presença dos quatro elementos da natureza: terra, água, fogo e ar. Atmosférico, há um comentário particularmente feminino, com a personagem paulatinamente ganhando os traços da bailarina e artista visual Tana Guimarães. Como o esperado, a fotografia de Ivo Lopes Araújo é um deleite.

Chutes
Brasil, 25′, dir. Gustavo Vinagre

Diretor de “Nova Dubai”, Gustavo Vinagre assumiu que “Chutes” veio de seu distanciamento com o futebol. O “trauma” com o esporte parece traduzido na protagonista vivida por Nina Vinagre, Sandra, que está na última fase da gestação e já não suporta o fanatismo futebolístico do marido (Danilo Grangheia), que costuma convidar para o apartamento em que vivem os amigos para assistir as partidas de seu time e que espera por um menino para se tornar um jogador – ela deseja uma menina. Há um bom uso de humor, presente especialmente em uma cena em que Sandra mata o seu tempo assistindo um programa que parodia atrações como “Casos de Família”, mas o drama é desleixado: há lacunas sobre o passado recente do casal preenchidas com sugestões que jamais mostram a que veio.

Mitã Odjau Ramo – Quando a Criança Nasce
Brasil, 17′, dir. Ricardo Sá

Mesmo com ações bem intencionadas, é assustador como os nossos costumes parecem dizimar a vida indígena. A questão da gravidez vem sendo pautada por movimentos que defendem um parto humanizado em um país em que 90% das mulheres se submetem à cesárea, uma “cultura” que interfere até mesmo as vidas das índias guarani Vanete e Teresa, que buscam em um hospital de Espírito Santo uma segurança para conceber os seus bebês. Restam ao fim as crianças e o peso que não imaginam carregar de preservar as tradições que ainda restam na aldeia que habitam.

Estado Itinerante

Estado Itinerante
Brasil, 25′, dir. Ana Carolina Soares

25 minutos são mais do que suficientes para Ana Carolina Soares defender de modo excepcional um dos temas centrais da 27ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo: o direito da mulher. Extraordinária, Lira Ribas dá vida à cobradora de ônibus Vivi, que claramente está enclausurada em uma situação de abuso doméstico. Entre noites mal dormidas, tenta encontrar um refúgio. É incrível o domínio da cineasta em dar alguma face para o inimigo que amedronta a sua personagem: a partir de uma casa periférica, Ana Carolina Soares mapeia toda a insegurança de Vivi. O uso na íntegra de “Don’t Cry”, do “Guns N’ Roses”, em um plano-sequência é também visceral.

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