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27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo | Parte #3

A seguir, comentamos sobre cinco dos seis curtas que integraram a programação da Mostra Internacional 8. Uma seleção impecável, contemplando curtas da França, Hungria, Israel e Polônia.

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The Reflection of Power
França, 9′, dir. Mihai Grécu

Capital e mais antiga cidade da Coreia do Norte, Pionguiangue serve de cenário para a captura de grandes cartões-postais literalmente submersos na água. O país mais fechado do mundo vem a ser principalmente uma prisão para os seus habitantes, com as celebrações dos primeiros dois minutos captadas de modo amador camuflando a realidade de uma sociedade inundada pela liderança ditatorial do infame Kim Jong-un.

Distúrbio (Zaburzenie)
Polônia, 12′, dir. Julian Talandziewicz

O filme de Julian Talandziewicz é um bom aperitivo para a particularidade dos dramas psicológicos produzidos na Polônia e que lamentavelmente não encontram uma chance no circuito nacional de cinema. O protagonista é um pacato bibliotecário preso a um nível incômodo de solidão. A única companhia é a sua mãe, compartilhando com ela uma intimidade tão grande que há até mesmo uma cena que a mostra usando o banheiro enquanto ele está nu se barbeando. A solução para o interesse que desperta por uma visitante recorrente da biblioteca pode ser aquém das expectativas, mas a apreensão persiste após os créditos finais.

Enquanto Sigo (As I Go)

Enquanto Sigo (As I Go / תוך כדי תנועה)
Israel, 8′, dir. Inbar Korem

Um primor técnico e narrativo este curta de animação vindo de Israel. Além da direção e roteiro, Inbar Korem se encarrega de inúmeras outras funções de “Enquanto Sigo”, como a edição e a direção de arte. Garotinha de 8 anos, Roni vive isolada em seu mundo de fantasia enquanto a mãe se aprisiona em um luto pela perda do filho mais velho, um soldado aparentemente morto em conflito. Ao dar vida a animais a partir de seus desenhos, Roni passa a também desenhar o irmão na tentativa de revivê-lo. Com belíssima trilha sonora composta por Andres Rapaport, “Enquanto Sigo” é aquele caso raro de produção que ressoa de modo devastador tanto em crianças quanto em adultos.

Era Uma Vez Duas Bailarinas (Volt egyszer két balerina)
Hungria, 25′, dir. Linda Dombrovszky

Cobrir uma vida em um longa-metragem não é tarefa fácil. Imagina condensar o depoimento de duas irmãs gêmeas prestes a completar 95 anos em formato de curta-metragem. As gêmeas Kolozs compartilham relatos não apenas de adversidades pessoais, como também das marcas de duas pessoas que passaram juntas por inúmeros conflitos e tragédias que marcaram a Europa do século passado. Linda Dombrovszky dá conta de mapear duas personagens ricas, comovendo especialmente pela atenção aos pequenos detalhes, como a ternura com a qual as Kolozs preservam as suas memórias em bonecas, fotografias e anotações.

Asfalto (Asphalt)
França, 21′, dir. Laura Townsend

Há algo de autêntico na visão da diretora Laura Townsend sobre a interrupção abrupta de uma vida. Esse sentimento parece cercar Sarah (Céline Martin-Sisteron), uma comissária de bordo desorientada que se hospeda em um lugar no meio do nada geralmente habitado por caminhoneiros em pausas de suas viagens. Presa a um relacionamento sério com um sujeito já comprometido, a personagem aos poucos descortina várias camadas de sua personalidade. Atentem a um diálogo delicioso e mordaz: ao questionar sobre a existência de Deus a um estranho, este a responde “Só se ele assumir a responsabilidade”.

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