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27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo | Parte #4

Na penúltima parte de nossa cobertura do 27° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, comentamos sobre cinco filmes presentes em recortes distintos da programação. Vale informar que alguns títulos nacionais já estão disponíveis no site Porta Curtas, como “Impeachment“, de Diego de Jesus.

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Quando o Dia Nasce (Cuando el Dia Nace)
Paraguai, 12′, dir. Santiago Eguia

Santiago Eguia registra com muita sensibilidade a dinâmica de um casal de idosos. Trata-se de uma rotina de repetições, de gestos reprisados em atividades banais como a do café da manhã e da contemplação a dois do jardim da pequena propriedade em que vivem. Eis que o fim vem mais cedo para o marido, restando a Estela suportar a solidão até que a morte decida bater à porta.

A Culpa, Provavelmente (La culpa, probablemente)
Venezuela, 13′, dir. Michael Labarca

Exibido em Cannes, esse drama de Michael Labarca tem uma visão autêntica para a velha história de um homem em dúvida quanto a mulher com quem deve viver permanentemente. Durante um blecaute à noite, Cándido deixa a sua atual companheira sob o pretexto de ir comprar velas. Na realidade, ele vai visitar a sua ex-mulher, com quem teve uma filha que está com dificuldades de dormir. O toque ininterrupto de um celular vem como um bom elemento que impõe o dilema para o protagonista.

Impeachment (idem)
Brasil, 15′, dir. Diego de Jesus

Curioso ver as imagens desse curta no mesmo período em que Dilma Rousseff foi desposta do cargo de presidente após a aprovação de seu impeachment pelo Senado. No entanto, o resgate de Diego de Jesus vem a ser da cobertura de um pedido de 1999 para retirar da presidência Fernando Henrique Cardoso, acusado à época dos mesmos crimes de responsabilidade fiscal que provocou a queda de Dilma. Mas o curta não tem interesse pelo resgate histórico, e sim de evidenciar que nada mudou a partir de um tom satírico. Ganha intervenções bobas, que conferem ao trabalho um resultado inferior em comparação com qualquer vídeo engraçadinho que se vê no YouTube.

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A Valsa do Pódio

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A Valsa do Pódio (idem)
Brasil, 25′, dir. Bruno Carneiro e Daniel Hanai

“A Valsa do Pódio” pode servir de incentivo para qualquer um que ainda tem dúvidas em acompanhar ou não as Paraolimpíadas. Bruno Carneiro e Daniel Hanai encontram soluções visuais muito eficazes para ilustrar a trajetória da atleta Terezinha Guilhermina, que, assim como todos os seus irmãos e irmãos, foi acometida por uma perda de visão paulatina e que encontrou o seu refúgio na corrida. Ao também destacar o seu guia nas pistas Guilherme Santana, o curta é uma tradução do que há de melhor nos jogos olímpicos: os sentimentos de companheirismo e superação.

Amal (idem)
Marrocos, 15′, dir. Aïda Senna

A principal virtude do filme de Aïda Senna é prestar alguma contribuição para o debate que vem se disseminando cada vez mais no cinema sobre a posição da mulher em sociedades opressoras. Na premissa, Sonia (Aouatefe Lahmani) está prestes a se formar em Medicina, mas se surpreende grávida após um estupro que teria ocorrido há cinco meses. Pena que, ao trazer uma mulher que pode sofrer consequências graves por uma situação em que ela é a vítima, Senna acabe encontrando um subterfúgio fácil para o seu texto: Hicham (Mourad Zaoui), um amigo médico com o qual Sonia compartilha o seu segredo.

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