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Resenha Crítica | Nós Duas Descendo a Escada (2015)

Nós Duas Descendo a Escada, de Fabiano de Souza

O diretor Fabiano de Souza estabeleceu uma dinâmica inusitada para as filmagens de “Nós Duas Descendo a Escada”. Durante quase um ano, as atrizes Miriã Possani e Carina Dias tiveram dois encontros mensais para rodarem as suas participações no longa, estratégia para buscar uma autenticidade nos efeitos desgastantes de um relacionamento a princípio sem compromisso.

De um lado, temos Adri (Miriã Possani), jovem de 24 anos recém-formada que trabalha em uma livraria enquanto ambiciona por uma carreira artística. Do outro, há Mona (Carina Dias), arquiteta bem-sucedida prestes a completar 30 anos que, ao contrário de Adri, lida com muita libertinagem quanto a sua sexualidade.

A insegurança de uma e a confiança da outra são os principais elementos opostos que se atraem, mas logo as distinções entre essas duas mulheres dificultarão a relação, fazendo com que a narrativa (também da autoria de Fabiano de Souza) tente encontrar alguns pontos de fuga do padrão de algo que ele oferta como uma comédia romântica. Mas o resultado pretendido é diferente do que se efetiva na tela.

O lado cinéfilo do diretor e roteirista fica em evidência em inúmeras passagens de “Nós Duas Descendo a Escada”. Para ilustrar a passagem do tempo, recortes de jornais ganham a tela, geralmente destacando notícias sobre os lançamentos da época (as filmagens aconteceram entre 2011 e 2012) ou acontecimentos impactantes, como o falecimento de Carlos Reichenbach.

Essa devoção pelo cinema também se manifesta nas interações entre personagens. Divertida, há uma cena em que Adri e Mona se comunicam em uma locadora a partir de títulos de alguns DVDs. No entanto, na maior parte do tempo, as referências geram diálogos deslocados, insípidos. Por exemplo: ao chegar a uma festa de Mona, Adri se apresenta para uma convidada que afirma ela é mágica por estar de vermelho. “A fraternidade é vermelha”, Adri responde.

O mais grave de “Nós Duas Descendo a Escada” é como o direcionamento das coisas nos faz acreditar que um rompimento entre Adri e Mona seria muito mais crível do que a continuidade do namoro. Existe um esforço em tornar o mais íntimo possível a troca de afetos entre elas. Ainda assim, são duas pessoas sem sintonia, que na realidade não passariam do sexo casual.

Tanto que o único instante em que um choque de realidade despenca em “Nós Duas Descendo a Escada” é aquele em que Adri e Mona atacam uma a outra com um sem número de verdades até que concluem que definitivamente pertencem a universos diferentes. Não há nada pior do que um romance que nos dá mais contras do que prós para (des)acreditar na união de um casal.

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