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Os Destaques da Coletiva de Imprensa de “O Roubo da Taça”

Aconteceu na segunda-feira desta semana (5 de setembro) a coletiva de imprensa de “O Roubo da Taça” em São Paulo, no Hotel Golden Tulip. A equipe mal tinha voltado do Festival de Gramado, onde o filme foi laureado com quatro troféus Kikito nas categorias de Melhor Ator, Melhor Roteiro, Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.

Baseado no caso real do roubo da taça Jules Rimet em 1983 no Rio de Janeiro, a divertida comédia já está em cartaz nos cinemas do país. É também um dos pré-finalistas para tentar representar o Brasil no Oscar 2017.

No bate-papo descontraído com a imprensa, Mr. Catra (que faz uma participação especial no longa) foi o responsável por extrair as principais risadas dos jornalistas e, consequentemente, dos colegas de trabalho. Protagonista, Paulo Tiefenthaler respondeu a perguntas sobre as associações que ainda persistem com Paulo Oliveira, o seu famoso personagem do programa televisivo “Larica Total”. Stepan Nercessian também marcou presença, refletindo sobre como foi impactante testemunhar o roubo de um objeto que representou o orgulho de uma nação mergulhada em um período de crise.

A seguir, confira alguns dos depoimentos que rolaram do diretor Caíto Ortiz, do roteirista Lusa Silvestre e da atriz Taís Araújo. Já a nossa opinião sobre o filme saíra em breve.

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Sobre fazer uma comédia e o estado do gênero

Caíto Ortiz: penso que essa coisa de gênero é uma discussão menor. “Ah, comédia é isso. Drama é aquilo.” Isso é uma bobagem. O que acho uma pena, e que também é algo que vejo os brasileiros fazendo nos últimos anos, é deixar de pensar um pouco mais a cinematografia ao fazer uma comédia. Dá para ser muito mais inteligente, melhor. Não é por ser uma comédia que deve ser mal feita. É um gênero muito difícil de fazer. É preciso ter timing.

Lusa Silvestre: a comédia é um gênero muito nobre. Aristóteles escreveu livros sobre o teatro grego de sua época. Em um, ele tratou sobre a tragédia e, em outro, sobre a comédia. Se você ver o símbolo do teatro, é a carinha feliz e a carinha triste. A comédia é tão nobre quanto o sci-fi, o drama, o horror. Quando uma pessoa critica um filme por ser uma comédia, penso que ela precisa rever os seus conceitos, pois elas estão criticando Aristóteles.

Sobre o convite para interpretar Dolores

Taís Araújo: entrei no projeto há três anos. Começamos a fazer as leituras. Achei o roteiro sensacional e eu faço tão pouco cinema… Ficávamos no processo de marcar para iniciar as filmagens, mas o roteiro ainda estava mudando, recebendo novos tratamentos para aprimorar. Quando recebi um novo roteiro, disse: “Hum, a personagem piorou!”. Foi também uma época que queria muito ter um filho, mas aguardava para fazer o filme. Mas aí vieram novos tratamentos e eu engravidei. Nisso, o roteiro mudou por mais uma última vez. Liguei para o Caíto Ortiz e disse que estava grávida, mas que queria muito fazer esse filme. Disse para ele esperar pelo amor de Deus. Eles me esperaram e começamos a gravar quando a minha filha estava entre três e quatro meses. Toda a caracterização da minha personagem foi inspirada na Adele Fátima.

Sobre a concepção do roteiro

Lusa Silvestre: um dia, o Caíto foi à minha casa para ver “Estômago” antes mesmo de o filme estar pronto. A partir desse encontro, começamos a falar sobre o roubo da taça Jules Rimet e o Caíto veio com uma matéria online. Existiam duas fontes de pesquisa sobre o caso: o da época, que era muito sobre o caso policial, e o de 20 anos depois, sendo matérias um pouco mais sóbrias, avaliando tudo o que aconteceu. O filme se baseia em ambas, contendo o que foi descoberto no calor daquele momento e o nosso ponto de vista de hoje.

Caíto Ortiz: todas as pessoas envolvidas no crime estão mortas, houve meio que uma maldição pairando sobre o caso. Foi um processo interessante, pois ficamos durante todos esses anos escrevendo. A gente tentava por uma saída. Não dava certo e voltávamos para o início. Durante tudo isso, percebemos que era essencial a presença de uma figura feminina importante, um pilar.

Lusa Silvestre: quando começamos a fazer o roteiro, estávamos muito apegados à realidade. A sequência de fatos é muito maluca. Para você ter uma ideia, todos os envolvidos foram presos, a polícia pegou o dinheiro deles e os soltaram! Somente anos depois eles realmente foram capturados e mantidos na prisão por outros policiais. Consideramos que tudo isso era demais para o roteiro. Foi assim que pensamos na Dolores, que foi a personagem que nos ajudou a levar a história para frente.

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