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Resenha Crítica | A Vida Após a Vida (2016)

Zhi fan ye mao, de Zhang Hanyi

.:: INDIE 2016 Festival Cinema ::.

Província situada no norte da China, Shaanxi é dona de um exotismo capaz de atrair muitos turistas, mas é também um cartão postal para paisagens mortas e até hoje o palco do maior terremoto já testemunhado, ocorrido há mais de quatro séculos. É a aridez e certo misticismo do ambiente que interessa a Zhang Hanyi, ao qual deve o seu nascimento e a sua estreia na direção.

O nome de Jia Zhangke na produção certamente foi definitivo para a inscrição de “A Vida Após a Vida” no Festival de Berlim, sendo nomeado na categoria de Melhor Primeiro Filme. A princípio, a premissa é focada no relacionamento entre pai e filho de Mingchun (Zhang Mingjun) e Leilei (Zhang Li).

Trabalhadores rurais, ambos não têm um convívio dos mais harmoniosos. Ainda assim, os atritos não são o foco de “A Vida Após a Vida”, mas sim a ausência da figura materna, que possui o corpo de Leilei com a motivação de pedir a Mingchun um último desejo: a mudança de local de uma árvore que exerceu um papel muito significativo na vida do casal. Impõe-se assim uma via-crúcis que mapeará a atmosfera lúgubre de cada ponto de parada, enfatizado por uma fotografia de Chang Mang ausente de cores vivas.

Ainda que apresente acontecimentos que ofereçam uma reflexão sobre o fio que separa o plano material do plano espiritual, a exemplo da cena de abate animal de provocar desconforto na plateia, “A Vida Após a Vida” é a captação fria de uma jornada e faz mau uso da presença de Zhang Li, totalmente inexpressivo na composição de alguém que serve de objeto para comportar um espírito feminino. Como muitos filmes de estreantes, talvez “A Vida Após a Vida” se beneficiaria mais caso planejado como um curta-metragem.

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