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Resenha Crítica | Creepy (2016)

Kurîpî: Itsuwari no rinjin, de Kiyoshi Kurosawa

.:: INDIE 2016 Festival Cinema ::.

Diretor de cinema desde os 20 anos, Kiyoshi Kurosawa tem atravessado uma fase intensa em sua carreira, lidando com projetos um atrás do outro. Recentemente em Toronto para promover “Le secret de la chambre noire” (coprodução entre Bélgica, França e Japão falada em francês), já regressou para a sua terra natal para as filmagens de seu novo longa-metragem a ser lançado no próximo ano.

Se às vezes o resultado soa como algo feito a toque de caixa, como “O Sétimo Código” (presente na edição de 2014 do INDIE Festival), por outro há muito a ser avaliado e discutido, como se vê em “Creepy”. Mesmo envolto no gênero thriller, Kurosawa faz um estudo psicológico curioso a respeito da deformidade familiar em detrimento do que a princípio soa como um mero mistério de assassinato em série.

Takakura (Hidetoshi Nishijima) decidiu abandonar o ofício de detetive após um episódio traumático. Um ano depois, recebe o pedido de seu colega Nogami (Masahiro Higashide) para investigar o desaparecimento há seis anos de uma família, deixando como único membro e testemunha a jovem Saki (Haruna Kawaguchi).

Ao identificar que o caso é mais obscuro que parece, Takakura acaba negligenciando a sua esposa Yasuko (Yûko Takeuchi), com quem acabou de se mudar para um novo bairro. Paralelo ao avanço das investigações, acompanhamos a rotina solitária e banal de Yasuko, que aos poucos se aproxima de Nishino (Teruyuki Kagawa, sensacional), vizinho instável que vive com uma filha adolescente, Mio (Ryoko Fujino), e a sua esposa enferma.

Paulatinamente, Kurosawa descortina as aparências, por vezes sugerindo que Takakura e Yasuko estão lidando com contextos completamente isolados. E o faz com bom domínio de direção, mais preocupado com a tensão provocado a partir das interações de personagens e a exploração dos cômodos de uma propriedade do que o horror passageiro da violência gráfica.

Uma pena que Kurosawa e o seu parceiro de roteiro Chihiro Ikeda não tenham sido mais cuidadosos nos elementos detetivescos da trama inspirada em um romance de Yutaka Maekawa. Trata-se de um aspecto totalmente negligenciado em “Creepy”, comprometendo por vezes a seriedade e a evolução da história toda vez que um erro primário é cometido por alguém envolvido na resolução do crime central. Um deslize que só vem a ser realmente abafado com a intensidade dramática do ato final.

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