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Resenha Crítica | O Vale do Amor (2015)

Valley of Love, de Guillaume Nicloux

Não há nada pior para um pai e uma mãe do que a perda de um filho. É uma tragédia que trai a ordem que a existência humana deveria seguir, com os mais velhos partindo enquanto os mais novos se estabelecem no que os cristãos nomeiam como plano material. Porém, o maior choque vem quando a morte prematura é pontuada por um suicídio, deixando aos pais o peso da culpa.

É sobre isso que trata o 13º longa-metragem de Guillaume Nicloux, tendo sido exibido em competição no ano passado no Festival de Cannes. Mas o texto, também de sua autoria, traz a possibilidade para o casal interpretado pelos magníficos Isabelle Huppert e Gérard Depardieu dar um adeus apropriadamente e assim encontrar algum conforto antes de retomarem as suas rotinas.

Fotógrafo homossexual, Michael tirou a própria vida ingerindo inúmeros comprimidos. Antes, deixou cartas endereçadas para os seus pais incluindo um roteiro de viagens que eles devem seguir ao longo de uma semana. O destino é o Vale da Morte, situado na Califórnia, onde promete fazer uma aparição.

Além de um reencontro sobrenatural com o filho, a ocasião serve de oportunidade para esse homem e essa mulher se reencontrarem após constituírem uma família com novos parceiros. Foi uma separação harmoniosa, bem resolvida, mas os atritos são inevitáveis, especialmente ao avaliarem o quanto foram negligentes com Michael – a mãe teria ficado nada menos que sete anos sem vê-lo.

Mesmo que tenha uma abordagem original sobre o luto, Guillaume Nicloux acredita que nada é maior do que as presenças de Isabelle Huppert e Gérard Depardieu, que têm um reencontro no cinema após os 35 anos que os separam de “Loulou”, de Maurice Pialat. O diretor e roteirista sequer se dá ao trabalho de imaginar outros nomes para os personagens que não sejam os de seus intérpretes. Até a profissão se manteve –  ao ser abordado por um sujeito em férias com a esposa, Gérard assina como Bob de Niro ao dar um autógrafo.

Nem todos gostam de filmes que vivem em função dos astros estampados no cartaz, mas isso não é exatamente um problema em “O Vale do Amor”. Ainda mais porque não há muitos veteranos como Isabelle Huppert e Gérard Depardieu para trazer a mesma intensidade dramática em um filme quase ausente de artifícios. Ela com uma dor emocional e ele, com a fragilidade física de um diamante bruto.

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