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Resenha Crítica | A Morte de Luís XIV (2016)

La mort de Louis XIV, de Albert Serra

.:: INDIE 2016 Festival Cinema ::.

O reinado de Luís XIV é um daqueles que ocupam um número extra de páginas nos livros de história. No poder por mais de 70 anos, Luís XIV ainda aprimorou o seu exército para fazer uma verdadeira revolução na Europa e se viu em crise para encontrar um herdeiro ideal para sucedê-lo, uma vez que todos os seus filhos morreram ao contraírem enfermidades. São dados essenciais na biografia da figura real ignorados por Albert Serra em “A Morte de Luís XIV”.

No filme, vemos o rei francês definhando em seu aposento, com dificuldades inclusive de caminhar sem o auxilio de seus criados. A causa de sua fraqueza é uma gangrena contraída, tomando o que restou de sua vitalidade enquanto médicos e curandeiros tentam, sem sucesso, reverter a doença que o levaria a morte em 1º de setembro de 1715, quatro dias antes de completar 77 anos.

Ator favorito do cineasta François Truffaut e com quase a mesma idade de seu personagem real, Jean-Pierre Léaud tem uma interpretação aflitiva, nada expansiva, expressando o desejo de morrer com olhares sutis de reprovação e interjeições que mais parecem rosnos. O trabalho meticuloso de Léaud, porém, talvez seja o único elo que nos mantêm conectados com a encenação sempre fria de Albert Serra.

Hoje levantando mais recursos em comparação com os seus primeiros filmes, Serra se sofisticou, cercando de maior opulência a sua visão particular para contextos de época, sejam eles ficcionais ou não. Mesmo assim, a impressão é de que “A Morte de Luís XIV” nada mais é do que uma reprise da mesma estrutura narrativa de suas obras anteriores. O recorte crucial, as interações verbais esporádicas, as tomadas contemplativas, a música para pontuar o clímax. O personagem é outro, mas o filme é o mesmo de sempre.

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