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Resenha Crítica | Belas Famílias (2015)

Belles familles, de Jean-Paul Rappeneau

Em 1990, o cineasta Jean-Paul Rappeneau atingiu com “Cyrano” um feito que poucas produções estrangeiras conseguem: ultrapassar a barreira da língua registrando êxito em vários países. Além do sucesso comercial fora da França, a sua versão para o personagem da peça de Edmond Rostand conquistou cinco indicações ao Oscar e transformou Gérard Depardieu em astro mundial.

Desinteressado por uma carreira agitada, Rappeneau preferiu seguir um ritmo mais tranquilo para preparar os seus projetos futuros, sem jamais se aproximar do mesmo patamar de “Cyrano”. “Belas Famílias” parece um sintoma desse descompromisso, entregando uma comédia francesa que vem bem a calhar em uma matinê durante a semana.

A partir de um texto que tem as colaborações de Julien Rappeneau e Philippe Le Guay, Rappeneau arma uma situação que obriga duas famílias a lavar algumas roupas sujas com a morte do senhor Varenne, ex-marido de Suzanne (Nicole Garcia) e então companheiro de Forence (Karin Viard). Muito rico, Varenne deixou no mundo a mansão que compartilhava com Forence e a sua enteada, Louise (a sedutora Marine Vacth, descoberta em “Jovem & Bela”). Sem um testamento, começa uma rivalidade quanto ao destino da propriedade, que também está sob a mira do empreendedor Grégoire (Gilles Lellouche) e do prefeito Pierre (André Dussollier), que está prometendo em sua campanha a expansão de conjuntos habitacionais.

Quem acaba assumindo as rédeas da questão é Jérôme (Mathieu Amalric), filho do falecido com Suzanne e homem de negócios bem-sucedido que tem Chen-Lin (Gemma Chan) como parceira profissional e amorosa. A partir de um contexto pouco amigável, Jérôme acaba conhecendo Louise, por quem acaba se sentindo atraído enquanto cava o passado de seu pai com Forence. Além do sentimento de estar traindo tanto Chen-Lin quanto a sua mãe e irmão, Jean-Michel (Guillaume de Tonquédec), ele passa a ter uma crise de identidade, ampliada com o fato de Louise ter um relacionamento com Grégoire.

A confusão dessas ligações é suficiente para sustentar “Belas Famílias”, com uma duração que encosta nas duas horas. Ainda assim, há um sentimento de que o potencial cômico da trama não é aproveitado em seu esplendor, algo que seria possível especialmente pelo elenco talentoso e em plena sintonia. Limitando-se aos sorrisos amarelos esporádicos e a um “romance torto” tratado com naturalidade, o resultado vem a ser somente agradável e esquecível.

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