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Resenha Crítica | O Que Está Por Vir (2016)

L’avenir, de Mia Hansen-Løve

.:: INDIE 2016 Festival Cinema ::.

Enquanto em Hollywood ainda existe um movimento que busca reverter a obsolescência de atrizes veteranas a partir do protagonismo em filmes, o cinema europeu está a anos luz na dianteira, com realizadores que não se furtam de contar as histórias que desejam por causa da idade de seus personagens. Hoje com 63, anos, Isabelle Huppert vem a ser uma das atrizes mais requisitadas para papéis em que os anseios da terceira idade são um dos motes de um roteiro.

Em “O Que Está Por Vir”, Huppert é Nathalie Chazeaux, uma professora de filosofia flagrada em um momento no qual o castelo de cartas que é a sua vida começa a desmoronar. Os primeiros abalos são aqueles que correspondem à vida profissional, tendo dificuldades em ministrar aulas com as greves que tomaram as escolas e a de ver os seus livros didáticos com riscos de não receberem novas edições pela primeira vez.

Também há abalos em outros campos gerenciados por Nathalie. Com os filhos já crescidos e morando fora de casa, ela precisa se desdobrar sozinha para cuidar da mãe (Edith Scob) e ainda processar o rompimento com o seu marido, Heinz (André Marcon), que assume o caso com uma aluna bem mais jovem. Com todas as surpresas e contratempos, teria ainda Nathalie o oportunidade para se renovar?

Com apenas 35 anos de idade, a diretora e roteirista Mia Hansen-Løve compreende muito bem o momento da existência humana que a sua protagoniza atravessa, algo que comprova na escolha de seguir uma narrativa linear especialmente no fator emotivo, fazendo com que os revezes sejam enfrentados por Nathalie com uma lucidez talvez não tão condizente para uma mulher ainda em progresso. Novamente um belo registro em tom de crônica, encontrando beleza e encanto a partir da banalidade da existência humana.

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