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Resenha Crítica | No Fim do Túnel (2016)

Al final del túnel, de Rodrigo Grande

Não há exercício para domínio de narrativa e direção que um artista encontrará resultados mais claros do que o desafio em mergulhar em um filme de suspense. Não à toa, são poucos os nomes que conseguiram a alcunha de mestres ao basear a sua carreira no gênero, a exemplo de Alfred Hitchcock. Pois é no realizador inglês que Rodrigo Grande parece se inspirar em “No Fim do Túnel”, o seu quarto longa-metragem por trás das câmeras.

Bem como James Stewart em “Janela Indiscreta”, o personagem do excelente Leonardo Sbaraglia (que também está no recente “O Silêncio do Céu“), Joaquín, é um sujeito preso a uma cadeira de rodas enquanto se vê elucidando um mistério que pode colocar a sua vida em perigo. Porém, ao contrário do protagonista de Hitch, o condição de Joaquín é permanente, tendo a sua própria residência adaptada para realizar serviços eletrônicos no porão e as atividades rotineiras no térreo.

O andar superior está vago e é ele que Berta (Clara Lago) aluga junto com a sua filha Betty (Uma Salduende), garotinha que está há aproximadamente dois anos sem dizer uma palavra. Durante o processo de adaptação de suas inquilinas, Joaquín ouve sem querer uma conversa suspeita acontecendo na residência vizinha. A curiosidade o faz preparar uma aparelhagem que rende um olhar exclusivo para acompanhar os desdobramentos do que se revela um plano de assalto a um banco a partir de uma escavação.

Nem todo mundo é o que parece em “No Fim do Túnel”, algo que se confirma já no caráter um tanto duvidoso de nosso “herói” Joaquín, homem solitário que vê no crime uma oportunidade perfeita para também tirar um pouco de grana (os documentos espalhados em sua escrivaninha entregam as dívidas que contraiu nos últimos meses). Porém, ele sabe que está fazendo de bobo um grupo de ladrões perigosíssimo, liderado por Galereto (Pablo Echarri).

As restrições de espaço privilegiam o trabalho de Rodrigo Grande no sentido de como ele organiza o seu ambiente de tensão. Além de um trabalho sonoro especialmente imaginativo na fusão de trilha com ruídos de objetos, há uma câmera que sempre busca ilustrar a condição claustrofóbica do protagonista. São habilidades muito difíceis de se manter em um filme de duas horas, algo que Rodrigo Grande tira de letra no curso de uma trama que ainda reserva um ato final cheio de reviravoltas bem pregadas e nós em todas as pontas soltas.

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