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Resenha Crítica | Kóblic (2016)

Kóblic, de Sebastián Borensztein

Há cinco anos, o diretor e roteirista Sebastián Borensztein apresentou com “Um Conto Chinês” uma história tão excêntrica que até a ficção costuma processar com certo embaraço. Nela, temos o encontro de um recluso argentino, Roberto (Ricardo Darín), com Jun (Ignacio Huang), chinês que logo revelará que perdeu a sua amada após uma vaca cair no céu e atingi-la no barco em que passeavam romanticamente.

Em “Kóblic”, Borensztein volta a unir forças com Darín para levar ao público mais registro verídico. No entanto, aqui não há margem para a descontração ou a comoção a partir de algo excêntrico. Ao contrário, pois o recorte selecionado sobre a vida de Tomás Kóblic busca reviver o horror da ditadura militar na Argentina.

Kóblic (Darín) é um ex-comandante da Armada Argentina, tendo fugido do ofício a partir de um episódio traumático aos poucos descortinado pela narrativa. Em busca de um recomeço, Kóblic parte para uma província em que não pode ser reconhecido. A posição de desertor militar é a pior que se pode ter em tempos de ditadura e Kóblic logo será reconhecido por Velarde (Oscar Martínez), comissário corrupto obstinado em persegui-lo.

“Kóblic” tenta fazer mistério sobre o passado recente de seu personagem-título, falhando no primeiro flashback que toma a tela. Sequer ajuda a entrada de Nancy (Inma Cuesta), personagem que só vem pra reforçar a caracterização idealizada de heróis e vilões, tendo Darín todos os traços de galã sedutor enquanto Martínez é tomado por uma maquiagem que repugna a sua face. Realização totalmente convencional e com Ricardo Darín, com o perdão do trocadilho, no piloto automático.

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