Skip to content

Resenha Crítica | Kubo e as Cordas Mágicas (2016)

Kubo and the Two Strings, de Travis Knight

No top 20 das bilheterias mundiais, seis animações marcam presença com fortes arrecadações: “Zootopia – Essa Cidade é o Bicho”, “Procurando Dory”, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, “Kung Fu Panda 3”, “A Era do Gelo: O Big Bang” e “Angry Birds: O Filme”. Mesmo que pertençam a estúdios concorrentes, todas elas têm algo em comum: são protagonizados por animais. Trata-se de uma repetição de um ciclo recente no cinema, em que as animações desprivilegiaram figuras mais palpáveis em detrimento de algo mais amigável para também alavancar todas as estratégias de marketing referente a venda produtos licenciados.

Andando contra a maré, “Kubo e as Cordas Mágicas” vem como a alternativa para pais e filhos um tanto exaustos desse filão, apostando em uma tradição da animação oriental madura sem necessariamente afastar os pequenos ou entediar os adultos. É um risco que resultou em fracasso comercial – nos Estados Unidos, “Kubo e as Cordas Mágicas” não deve igualar nas bilheterias o seu custo de produção -, porém, é certo que essa realização do estreante Travis Knight terá um impacto mais prolongado para aqueles que o assistirem. Uma indicação ao Oscar de Melhor Animação no próximo ano também é uma aposta quase certa.

Kubo (voz de Art Parkinson na dublagem em inglês) é um garotinho que vive isolado com a sua mãe (Charlize Theron) em uma montanha à beira do mar. Ela está em uma condição instável e, para garantir o sustento básico, Kubo vai à vila próxima para receber algum dinheiro das crianças e idosos encantados com as suas histórias que dão vida a personagens de origami a partir do toque de seu shamisen, tradicional instrumento de cordas japonês.

Mesmo com essa independência precoce, Kubo tem claro uma regra estabelecida pela sua mãe que jamais deve desobedecer: a de vagar fora de seu lar durante a madrugada. Eis que a norma é infringida, o que desencadeia uma série de ataques mal intencionados capitaneados por suas tias gêmeas (Rooney Mara). Para protegê-lo, a mãe de Kubo faz um encanto para que Macaca (também na voz de Charlize Theron) seja despertada de um amuleto e lute para uma resolução. Para auxiliá-los, entra em cena Besouro (Matthew McConaughey), criatura atrapalhada com grande domínio de arco e flecha.

Antes de aceitar o desafio em dirigir “Kubo e as Cordas Mágicas”, Travis Knight já tinha uma vasta experiência como animador, sendo o principal responsável por dar movimento para as criações de “Coraline e o Mundo Secreto“, “ParaNorman” e “Os Boxtrolls”. Essa bagagem só vem a somar para “Kubo e as Cordas Mágicas”, pois Knight e a sua equipe são muito imaginativos na arquitetura de personagens, ambientes e até mesmo dos climas tempestuosos que os rondam. Mas é o texto da dupla Chris Butler e Marc Haimes que realmente faz “Kubo e as Cordas Mágicas” sair da mesmice, indo até o fim diante de temas como família, sacrifício e misticismo nipônico a partir de vieses um tanto rígidos, mas recompensadores.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: