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Resenha Crítica | A Garota Desconhecida (2016)

La fille inconnue, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne sempre gostam de enfatizar que fazem um cinema amparado pela economia, rejeitando subterfúgios que sejam maiores que os seus personagens e os dramas reais em que estão inseridos.  Para os fãs, é uma característica que os elevam ao patamar de maiores cineastas humanista em atividade. Para outros, há um sentimento de uma organização narrativa que se repete exaustivamente a cada novo filme.

A temática de “A Garota Desconhecida” não apenas resulta em uma via crucis muito parecida por aquelas enfrentadas pelas protagonistas de “Rosetta” e “Dois Dias, Uma Noite”, como comprova uma limitação na feitura do texto que traz acasos para que a trama possa prosseguir. São tantas felizes coincidências que é impossível não questionar sobretudo a escrita excessivamente ingênua dos belgas.

A premissa é daquelas perfeitas para a construção de um bom conto moral. Interpretada pela excelente Adèle Haenel (de “L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância”), Jenny Davin é uma médica que está prestes a assumir um consultório de atendimento particular. Antes dessa evolução profissional, segue em um endereço para conveniados ao lado de um estagiário. Julien (Olivier Bonnaud), que a auxilia nos serviços burocráticos.

Em uma noite de desavença entre os dois, Jenny o proíbe de atender a campainha após o horário de expediente. No dia seguinte, a polícia a procura comunicando que a pessoa que ela se negou a abrir a porta é a mesma encontrada minutos depois morta em um terreno de obras à beira do mar. O sentimento de culpa a invade imediatamente, iniciando uma busca para conhecer a identidade da vítima e assim removê-la do sepultamento de indigentes.

A principal virtude de “A Garota Desconhecida” é o interesse da protagonista não em identificar quem matou a jovem e por qual razão e sim ao encontrar o nome que corresponde a uma face que capturou dentro de segundos a partir da gravação de sua câmera de vigilância. Jenny nada pode fazer para reverter a tragédia, mas visualizamos a sua mudança interna como um item compensatório. Não à toa, Adèle Haenel vem a ser o grande trunfo do filme, evidenciando essa transformação com grande sutileza.

Porém, uma grande protagonista e um bom ponto de partida não asseguram um bom drama e os Dardenne sabotam “A Garota Desconhecida” a cada minuto pela maneira sem imaginação como fatos e indivíduos são atraídos por Jenny como imãs. Ela não apenas tem pacientes que são ligados diretamente à vítima, como visita ambientes que convenientemente irão ajudá-la a alcançar o que deseja.  Desta vez, os truques dos irmãos não funcionaram, resultando em vaias pela primeira vez em Cannes, festival em que sempre batem o cartão. Merecido.

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