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Resenha Crítica | Desconhecida (2016)

Complete Unknown, de Joshua Marston

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O conceito de personagem com múltiplas personalidades já rendeu thrillers de prender na cadeira, como “Síndrome de Caim”, “Identidade” e “As Três Máscaras de Eva”, somente para ficar em alguns exemplos. Além do mais, o cinema se mostra mais promissor para lidar com as representações, seja com recursos visuais ou com uma montagem nada linear.

Em seu terceiro longa-metragem, Joshua Marston não envereda exatamente pelo rumo do mistério, exibindo em “Desconhecida” uma protagonista muito ciente das inúmeras identidades que adota. Em outro desempenho sem densidade, Rachel Weisz vive Alice Manning, cardiologista que acompanha Clyde (Michael Chernus) na festa de aniversário de um amigo dele, Tom (Michael Shannon). Quando Alice e Tom finalmente se trombam, uma tensão se estabelece, como se ele já a conhecesse.

Antes que ambos possam reservar um momento para confirmar a impressão, Joshua Marston, com o auxílio de Julian Sheppard no roteiro, já elucida no prólogo o que se passa com Alice. Trata-se de uma mulher insatisfeita com os rumos de sua vida, adequando-se a novas versões de si mesma não apenas para aprimorar habilidades que então desconhecia possuir, como também encontrar um significado para a sua existência.

Pior do que uma direção precária especialmente nos momentos em que Alice está concentrada em multidões (a câmera sequer é capaz de captar em sua totalidade o rosto dos intérpretes enquanto eles dialogam), Marston demonstra um desinteresse pelo próprio texto que elaborou, proporcionando uma evolução zero tanto para a sua personagem central quanto para aqueles que recepcionam a sua revelação. Um retrocesso para alguém que debutou tão bem com “Maria Cheia de Graça” há 12 anos.

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