Skip to content

Resenha Crítica | Symptom (2016)

Symptoma, de Angelos Frantzis

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O recorte do cinema grego contemporâneo disponibilizado no Brasil por meio de festivais serve de panorama claro tanto sobre os temas provocativos abordados quanto em relação aos perfis de cineastas que estão sendo formados e aos poucos chamando a atenção de todo o mundo, como Yorgos Lanthimos (“O Lagosta”) e Alexandros Avranas (do ainda inédito “True Crimes”). No entanto, doses cavalares de estranheza e violência não bastam para assegurar um bom filme, algo que acontece a “Symptom”.

Uma criatura bem parecida com o coelho de “Donnie Darko” está provocando desordem em uma ilha grega sempre tomada por um clima nublado. Aqueles que a encaram agem de modo irracional, atingidas por um encanto que a fazem remover todas as peças que estão vestindo. Para confrontá-la, os moradores se reúnem para planejar um ataque, mas a responsabilidade de persuadi-la acaba recaindo em uma jovem (interpretada por Katia Goulioni) instável capaz de dialogar com ela.

Em seu quarto longa como diretor, Angelos Frantzis prepara em “Symptom” dois momentos que parecem pertencer a filmes distintos. No primeiro, não há praticamente nenhum diálogo, proporcionando uma experiência cerimoniosa e ambígua representada pelo vagar do monstro (ou indivíduo mascarado) e a tortura física que a protagonista impõe a si mesma por razões que passam a ser conhecidas na segunda metade, em que interações triviais em uma celebração entre amigos vão resultar em uma tragédia.

A redundância contida nesses dois períodos sugere que tudo irá se entrelaçar para algo verdadeiramente contundente, unindo as pontas de contextos tão destoantes entre si. Porém, a obviedade do choque das imagens e do texto de Frantzis não camuflam a pobreza de seu estudo sobre a dor e a culpa, culminando em uma conclusão não somente possível de ser antecipada há milhas de distância, como também insatisfatória em sua função de construir alguma alegoria a partir de sua ameaça.

2 Comments

  1. Alex, concordo. Não gostei nada de Symptom (como você pode ler em minha critíca, se tiver curiosidade). Fiquei bastante decepcionada e vi que ele foi bem cotado por bastante gente (com quem não consegui conversar). Essa foi a primeira crítica que li que se assemelha com a minha opinião.

    • Juliana, tenho amigos fanáticos por cinema grego contemporâneo que adoraram o filme, mas é como eu disse: estranheza não é um elemento que sozinho assegura um bom filme. É atmosférico e não vai muito além disso.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: