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Resenha Crítica | Fukushima, Mon Amour (2016)

Grüße aus Fukushima, de Doris Dörrie

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

No esplêndido “Hanami – Cerejeiras em Flor”, a diretora e roteirista alemã Doris Dörrie pareceu movida por este ideal de cura espiritual e reconexão com a vida a partir do contato com uma nova cultura. De algum modo, essa abordagem é resgatada por ela em seu novo filme, “Fukushima, Mon Amour”, desta vez com uma perspectiva totalmente feminina.

Protagonista da história, Marie (Rosalie Thomass) é uma jovem alemã um tanto desorientada na vida por razões que não são esclarecidas com pressa. Voluntariar-se na organização Clowns4Help parece um refúgio, mas o seu baixo astral não consegue ser disfarçado enquanto entretém os idosos sobreviventes de uma tragédia nuclear em Fukushima em 2011.

Por isso mesmo, ela se vê sendo mais útil servindo de companhia para Satomi (Kaori Momoi), última gueixa de Fukushima que insiste em voltar a habitar a sua antiga propriedade situada em uma área com nível considerável de radiação. Mesmo com o inevitável embate de gerações, bem como o choque cultural, os assuntos mal resolvidos que ambas têm com o passado são fortes o suficiente para despertar uma sintonia então improvável.

A premissa de “Fukushima, Mon Amour” não é nova e, talvez por isso, muitos devem torcer o nariz para os rumos que ela sugere tomar a partir de seu segundo ato. Já os mais abertos à proposta identificarão aos poucos uma encenação, com humor e densidade bem dosadas, do fascínio por trás de uma relação que abre mão de todas as diferenças que possam existir entre dois indivíduos, estes logo percebendo a cicatrização de suas feridas com a partilha do que têm de melhor para oferecer como seres humanos. Algo que Dörrie domina muito bem, como demostra especialmente em uma conclusão em que diz tudo sem verbalizar uma palavra.

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