Skip to content

Resenha Crítica | Ma’ Rosa (2016)

Ma’ Rosa, de Brillante Mendoza

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Antes um realizador de dramas com alta voltagem erótica, Brillante Mendoza passou a partir de “Lola” a reavaliar a sua filmografia com histórias que buscam de algum modo conscientizar o mundo das particularidades enfrentadas no cotidiano de gente comum das Filipinas. Se no ano passado trouxe à Mostra “Armadilha”, que relembra o rastro de destruição deixado pelo tufão Haiyan, em “Ma’ Rosa” há um registro da ilegalidade que ronda aqueles que precisam fazer de tripas coração para sustentar uma família.

Casada com Nestor (Julio Diaz), Rosa (Jaclyn Jose) tem com ele quatro filhos e dribla as contas com o pouco que fatura no mercadinho do qual é dona na área mais precária de Manila, capital das Filipinas. A alternativa encontrada foi traficar drogas para rendimentos extras, algo que funciona até o momento em que são descobertos e presos. Sem um tostão, os filhos começam a se mobilizar num quadro de 24 horas para obter a quantia exigida por policiais corruptos para libertar os seus pais.

A partir desse ponto de virada, passamos a conhecer cada um dos jovens membros dessa família e o modo como cada um se relaciona com o ambiente em que vivem, logo mapeando uma realidade que todos sabemos existir, mas que nos esforçamos para não visualizar. No entanto, há também contida nela esse sentimento de coletividade, em que o sentido de família parece atravessar qualquer adversidade.

A questão é que a encenação de Mendoza poucas vezes se compromete a esse valor, não somente sustentando um filme que peca pelo seu ritmo, mas que sabota o seu bem mais precioso: Jaclyn Jose. Vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, Jose foi alvo de controvérsias, com a imprensa questionando o júri por celebrar um protagonismo que não existe. A crítica é válida, pois Rosa se converte em mera figurante a partir do segundo ato da história.

Mesmo assim, quando a sua face é a única preocupação da câmera inquieta de Mendoza, “Ma’ Rosa” ganha outra dimensão. É como se na conclusão, tão debatida que hoje sequer pode ser considerada um spoiler, a atriz concentrasse na única pausa de respiro para a sua personagem uma fome de viver que compensa não somente todo o sofrimento pelo qual passou (e passará), mas também todas as irregularidades de um filme que deve tudo a ela.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: