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Resenha Crítica | Sophie e o Sol Nascente (2016)

Sophie and the Rising Sun, de Maggie Greenwald

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Nos anos 1980 e metade dos anos 1990, era comum ver dramas femininos, sejam contemporâneos ou de época, enfocando os anseios das mulheres e o modo como driblavam os contextos de opressão em que estavam inseridas. A tradição lamentavelmente se perdeu no cinema americano, mas ainda há algumas tentativas muito válidas que precisam ser caçadas para não se perderem, a exemplo de “Sophie e o Sol Nascente”.

Além de estar inebriado por esse aspecto, há duas curiosidades que cercam “Sophie o Sol Nascente”. A primeira é que estamos diante de uma obra totalmente influenciada por mulheres: além do elenco central, temos Maggie Greenwald dirigindo e adaptando um romance de Augusta Trobaugh e ainda assumindo a produção com outras três colegas, Brenda Goodman, Lorraine Gallard e Nancy Dickenson. Já a segunda curiosidade demonstra a singularidade da história, que retrata um caso pouco explorado de preconceito.

Estamos no outono de 1941 em Salty Creek, vilarejo da Carolina do Sul. Um período em que as tensões raciais estão à flor da pele e que a guerra garante más notícias para todos que têm um rádio na sala. Além da condição de negros como empregados domésticos, os asiáticos não são vistos com bons olhos, especialmente após o ataque a Pearl Harbor, dando passe livre para qualquer um caçá-los com suas espingardas sem qualquer tipo de penalidade.

É neste cenário que surge Grover Ohta (Takashi Yamaguchi), japonês confundido com chinês que é abrigado por Anne Morrison (Margo Martindale) após ser abandonado ferido em um ponto de ônibus. A recuperação permite que Anne comprove em Ohta um homem cheio de bons modos e com habilidades singulares para a jardinagem e a pintura. Qualidades também visualizadas por Sophie Willis (Julianne Nicholson, excelente atriz em um merecido papel de protagonista), melhor amiga de Anne que logo se verá apaixonada por ele.

O que seria na teoria somente um romance interracial se revela na prática um delicado registro sobre como a união feminina concentra uma força capaz de mover montanhas. Mesmo que Sophie, Anne e a criada Salome (a maravilhosa Lorraine Toussaint) passem a priorizar o bem estar de Ohta, há algo nessa amizade que diz muito sobre um sentimento de cumplicidade somente partilhado entre as mulheres, capaz de se sobressair diante de todas as diferenças que se impõem como barreiras. Sejam elas o preconceito, a autoridade dos homens ou mesmo uma guerra.

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