Resenha Crítica | Bench Cinema (2016)

Cinema Nimkat, de Mohammad Rahmanian

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Quem está ciente do ambiente de opressão do Irã já deve deduzir que a expressão artística do país está a todo o momento sendo alvo de censura. Não é fácil encontrar subterfúgios para velar os anseios de uma nação e muitos artistas pagam caro por suas atividades. Que o diga Jafar Panahi, que, mesmo em prisão domiciliar e proibido de filmar para o resto de sua vida, viabiliza produções clandestinas que ganham o mundo a partir de transferências ilegais.

Mesmo que Mohammad Rahmanian parta de um registro cômico, o seu “Bench Cinema” é cercado dessa tensão ao apresentar um artista, Nasi (Ali Omrani), que testemunha todo o acervo de filmes de coleções pessoais sendo queimado em praça pública. Mas como qualquer talento com a necessidade de representar, Nasi, então preso pelas autoridades que o repreenderam, localiza a caverna de um colega de cela cercada dos mais diversos clássicos do cinema.

Após um período de isolamento, Nasi abandona o local não vendo somente todos os títulos disponíveis, como também memorizando todas as falas. Assim, dribla a situação não contrariando a lei de não exibir filmes e sim os encenando em locais fechados, logo formando um time batizado de Bench Cinema (cinema de banco), fortalecido especialmente com a presença de uma enfermeira e ex-atriz interpretada pela ótima Mahtab Nasirpour.

Também roteirista, Mohammad Rahmanian transforma “Bench Cinema” em um meio de se reconectar com o seu próprio passado, no qual, assim como Nasi, se via em apuros ao andar com um VHS debaixo do braço nos opressores anos 1980. O seu lado cinéfilo proporciona reimaginações impagáveis de obras como “Um Corpo que Cai”, “Quanto Mais Quente Melhor”, “Três Homens em Conflito” e “O Mágico de Oz”. O senão é que chega um momento em que a narrativa emperra com tantas homenagens, podendo provocar mais exaustão do que satisfação ao término.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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