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Resenha Crítica | La Vingança (2016)

La Vingança, de Fernando Fraiha

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O tempo passou e as piadas que ditam as rodinhas entre amigos são aquelas que viralizaram na internet.  Os memes chegaram para ficar, sendo mais do que natural usar bordões no mundo virtual na vida real ou mesmo conduzir uma conversa por mensagens instantâneas com imagens contendo aquilo que incorporamos como novos ditos populares. O que não significa que aquela tiração de sarro com argentinos ou indivíduos que saíram de uma relação com um par de chifres ainda não provoque algumas risadas. Agora, transformar isso como a base de um filme com 90 minutos é algo totalmente inviável.

Paulistano com uma filmografia mais expressiva na produção associada de longas como “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” e “Divinas Divas”, Fernando Fraiha achou uma boa ideia debutar na direção de longa-metragem com uma comédia de tom popular movido somente por essas duas piadas. Na trama, um incompetente dublê de filmes de ação, Caco (Felipe Rocha), flagra a sua namorada Julia (Leandra Leal) traindo-o com um renomado chef de cozinha argentino no momento em que a pediria em casamento. A situação constrangedora sustentaria somente umas três ou quatro cenas com tiradas cômicas, mas há um longo tempo pela frente e a escolha é esticar algo sem potencialidade dramatúrgica.

Convencido pelo melhor amigo Vadão (Daniel Furlan), Caco viaja com ele a bordo de um Opala 72 laranja tendo Buenos Aires como destino. O amigo pensa que a intenção é aplacar a traição pegando todas as argentinas que estiverem pela frente, mas Caco quer mesmo é acertar as contas com Julia, que está vivendo na cidade com o amante.

Felipe Rocha e Daniel Furlan são dois intérpretes com vasta bagagem no humor e provam ter química como melhores amigos, mas ambos encarnam o tipo mais irritante de indivíduo: o trintão que ainda não superou a pós-adolescência. A imaturidade só contamina a qualidade do texto, daquele modelo que parece elaborado por jovens machistas cujo conceito de vingança é transar com a primeira mulher disponível.

Há até algumas situações que tentam reverter a impressão, como aquela em que Vadão leva uma boa lição ao cantar uma policial na fronteira Brasil-Argentina. Mesmo a escalação em modo de participação especial de uma atriz séria como Leandra Leal vem com o desejo de inserir alguma densidade. Ainda assim, é um programa recomendado somente para aqueles com a facilidade de passar um par de horas rindo de uma anedota surrada e infantil.

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