Acabou nesta última quarta-feira, 9 de novembro, a 40ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, despedindo-se do público com a exibição em cópia restaurada de “Lavoura Arcaica” na repescagem abrigada pelo CineSesc. Como é tradição em nosso endereço, organizamos neste período de encerramento uma seleção dos melhores filmes que vimos ao longo da maratona cinéfila.
Assim como no ano passado, convocamos alguns colegas que costumam nos acompanhar na correria entre as sessões. Além de parceiros de blogosfera, também contamos com a colaboração de mostreiros de longa data, que compartilharam para nós o top 10 dos seus filmes favoritos. A mudança é que, desta vez, pontuamos cada uma das menções, com o objetivo de termos um ranking coletivo. O resultado você acompanha a seguir. Até a próxima Mostra e continue sintonizado em nosso endereço, pois ainda comentaramos sobre outros filmes que estavam presentes na programação.
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10º Lugar
Aloys, de Tobias Nölle
24 pontos | 5 menções
É no intangível que o filme se firma. No modo como os dois personagens se conectam, como eles interagem à distância e como fogem daquilo que os prende e faz falta. Há ainda um cuidado muito grande com sons, cores e certos elementos simbólicos. O filme ainda tem pequenos detalhes bem interessantes, como as filmagens aleatórias ou a cortina que consegue isolar Aloys do mundo que o cerca completamente. + [Cecilia Barroso, Cenas de Cinema]
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9º Lugar
Divinas Divas, de Leandra Leal
30 pontos | 5 menções
Conseguindo captar cada uma da personalidade de suas biografadas, Leandra Leal não só evidencia o brilho melancólico daquelas mulheres, sempre entre o palco e os bastidores, como também se torna cúmplice de suas divas. Resgatando a memória de seu avô, que no ano de 1966 foi o primeiro a abrir seu teatro para apresentações de transformistas, a diretora nos torna tão íntimos quanto ela de cada uma daquelas pessoas – gerando cenas inigualáveis, como quando ouvimos a música Abandono, após ouvirmos sobre um falecimento. Igual, a entrega de My Way ou a personificação de Marquesa em I Put a Spell On You são momentos inesquecíveis. + [Andrey Lehnemann, Clickfilmes]
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8º Lugar
Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
30 pontos | 5 menções
Belos Sonhos faz um retrato sensível e muitas vezes subjetivo tanto do encanto que nossas mães exercem sobre nós quanto da desorientação imposta àqueles que, por catástrofes do destino, foram obrigados a viver longe das suas. Nenhuma análise formal da linguagem do longa poderia explicar, por exemplo, a dor nos olhos de um menino que encara o caixão do amor de sua vida e se recusa a acreditar que ele não está vazio; ou do homem barbado que, ao receber determinada notícia, mareja os olhos ao reavaliar antigas crenças e especular mentalmente o que teria sido diferente caso a verdade jamais lhe houvesse sido encoberta. + [João Marcos Flores, Cineviews]
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7º Lugar
O Ignorante, de Paul Vecchiali
31 pontos | 6 menções
Como nos filmes anteriores, Vecchiali volta a manter como prioridade a encenação do que escreve, buscando criar uma dialética simples que proporcione grande impacto a seu público. Diretor que nunca deixa de incluir dança e música (cujas letras dessa vez ele mesmo compõe) em suas obras, ele procura aqui simplificar ainda mais a movimentação de personagens dentro de seu cenário estático, resumindo momentos mais emocionais em gestos pequenos e simultaneamente singelos. + [Pedro Strazza, O Nerd Contra-Ataca]
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6º Lugar
O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
34 pontos | 7 menções
Em nenhum momento o diretor e co-roteirista Juho Kuosmanen, em uma sacada muito lúcida, torna maior aquilo que não é; em vez disso, preenche a tela com agradável leveza, ignorando qualquer espetacularização que poderia fazer de “O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki” uma obra qualquer. Pelo contrário, é um filme apaixonante, otimista e que prova que o amor sempre vence no final. + [Elton Telles, Pós-Première]
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5º Lugar
Beduino, de Julio Bressane
40 pontos | 8 menções
Bressane afirma que este é um filme sobre o nada, o que não deixa de ser uma verdade e uma mentira. Isso porque o experimentalismo difuso do diretor pode afastar a lógica ou a continuidade narrativa, mas sem também transformá-lo em uma obra episódica. Ao mesmo tempo, há uma percepção sobre o humor, o imaginativo e o poder da imagem que incomoda (no bom sentido) pela clareza e consciência com que os planos são articulados. + [Yuri Deliberalli, Discurso Cinematográfico]
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4º Lugar
The Handmaiden, de Park Chan-wook
63 pontos | 8 menções
Acima de todo esse jogo entre criaturas dissimuladas, é incrível como “The Handmaiden” ainda assim consegue ser tão verdadeiro no amor atípico que encena. Encontrar o fator humano em um freak show é um desafio superado porque nenhuma violência é mais intensa e explícita do que o choque entre dois corpos que se desejam. Sem ninguém esperar, Park Chan-wook entrega o romance mais arrebatador dos últimos tempos. + [Alex Gonçalves, Cine Resenhas]
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3º Lugar
Paterson, de Jim Jarmusch
64 pontos | 10 menções
O filme de Jarmusch é um retorno do diretor às histórias mais intimistas, como Estranhos no Paraíso. (…) Trata-se de um filme melancólico e singelo, nunca apelativo ou excessivamente lírico, que cativa pela forma com que nos faz se identificar com um protagonista tão singular. + [Rafael Carvalho, Moviola Digital]
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2º Lugar
Martírio, de Vincent Carelli
104 pontos | 11 menções
A potência do filme de Carelli está também em entender que há sempre um ruído de comunicação, mesmo em um filme que se propõe a ser “com”, e não “sobre” os Guarani Kaiowá. A passagem de uma câmera para os índios gravarem as constantes ameaças a que estão submetidos é um gesto final que abre novas possibilidades de existir e resistir em meio a esta shoah à brasileira. + [Adriano Garrett, Cine Festivais]
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1º Lugar
Elle, de Paul Verhoeven
104 pontos | 13 menções
Com uma trama muito bem amarrada, o passado desconhecido da protagonista vai se revelando aos poucos. Pistas deixadas pelo caminho, principalmente no que diz respeito ao pai da personagem, definem a gravidade do evento traumático, até que se conheça tudo o que aconteceu. Inteligentemente, o diretor não faz questão de determinar nada. Enquanto alguns saem da sala de cinema com uma explicação para aquela pessoa, outros saem com outra completamente diferente. Vítima ou culpada? Cada um enxerga os fatos que mais interessam para responder a esta pergunta. + [Cecilia Barroso, Cenas de Cinema]
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Os 10 melhores filmes da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo segundo Alex Gonçalves, editor do Cine Resenhas:
01. The Handmaiden, de Park Chan-wook
02. Elle, de Paul Verhoeven
03. 24 Semanas, de Anne Zohra Berrached
04. A Última Família, de Jan P. Matuszynski
05. A Repartição do Tempo, de Santiago Dellape
06. A Rede, de Kim Ki-duk
07. A Atração, de Agnieszka Smoczynska
08. Glory, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov
09. Morte em Sarajevo, de Danis Tanovic
10. Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
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Os convidados:
Adriano Garrett | Cine Festivais
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Paterson, de Jim Jarmusch
03. Elle, de Paul Verhoeven
04. Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira
05. 76 Minutos e 15 Segundos com Kiarostami, de Seifollah Samadian
06. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
08. Os Decentes, de Lukas Valenta Rinner, de Lukas Valenta Rinner
09. Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, de Eliane Caffé
10. Vermelho Russo, de Charly Braun
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Andrey Lehnemann | Clickfilmes
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. The Handmaiden, de Park Chan-wook
03. Leste Oeste, de Rodrigo Grota
04. Divinas Divas, de Leandra Leal
05. Como Me Apaixonei por Eva Ras, de André Gil Mata
06. Zero Days, de Alex Gibney
07. The Stopover, de Delphine Coulin e Muriel Coulin
08. Vermelho Russo, de Charly Braun
09. Cinema Novo, de Eryk Rocha
10. O Apartamento, de Asghar Farhadi
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Carla Daniele
01. Interrupção, de Yorgos Zois
02. The Handmaiden, de Park Chan-wook
03. Porto, de Gabe Klinger
04. Aloys, de Tobias Nölle
05. Greater Things, de Vahid Hakimzadeh
06. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
07. Os Decentes, de Lukas Valenta Rinner
08. O Apartamento, de Asghar Farhadi
09. A Atração, de Agnieszka Smoczynska
10. Tempestade de Areia, de Elite Zexer
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Cecilia Barroso | Cenas de Cinema
01. Elle, de Paul Verhoeven
02. Martírio, de Vincent Carelli
03. O Dia Mais Feliz na Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
04. The Stopover, de Delphine Coulin e Muriel Coulin
05. Tempestade de Areia, de Elite Zexer
06. Invasão Zumbi, de Sang-ho Yeon, de Sang-ho Yeon
07. The Fits, de Anna Rose Holmer
08. The Handmaiden, de Park Chan-wook
09. Paterson, de Jim Jarmusch
10. Mimosas, de Oliver Laxe, de Oliver Laxe
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Christian Barroso
01. Paterson, de Jim Jarmusch
02. Martírio, de Vincent Carelli
03. Elle, de Paul Verhoeven
04. Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
05. Beduíno, de Julio Bressane
06. O Ignorante, de Paul Vecchiali
07. Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
08. Porto, de Gabe Klinger
09. Depois da Tempestade, de Hirokazu Koreeda
10. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
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Elton Telles | Pós-Première
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Elle, de Paul Verhoeven
03. Depois da Tempestade, de Hirokazu Koreeda
04. Paterson, de Jim Jarmusch
05. Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
06. Divinas Divas, de Leandra Leal
07. Invasão Zumbi, de Sang-ho Yeon
08. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
09. Morte em Sarajevo, de Danis Tanovic
10. Beduíno, de Julio Bressane
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Hélio Flores
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Elle, de Paul Verhoeven
03. Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
04. Divinas Divas, de Leandra Leal
05. Corações Cicatrizados, de Radu Jude
06. Treblinka, de Sérgio Tréfaut
07. O Ignorante, de Paul Vecchiali
08. Beduíno, de Julio Bressane
09. Porto, de Gabe Klinger
10. Tempestade de Areia, de Elite Zexer
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Iradilson Costa
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Beduino, de Julio Bressane
03. The Handmaiden, de Park Chan-wook
04. Elle, de Paul Verhoeven
05. El Olivo, de Iciar Bollain
06. O Ignorante, de Paul Vecchiali
07. Paterson, de Jim Jarmusch
08. O Silêncio da Noite é que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras, de Petrônio de Lorena
09. Tempestade de Areia, de Elite Zexer
10. A Menina sem Mãos, de Sébastien Laudenbach
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João Marcos Flores | Cineviews
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Então Morri, de Bia Lessa e Dany Roland
03. The Handmaiden, de Park Chan-wook
04. Cinema Novo, de Eryk Rocha
05. Zero Days, de Alex Gibney
06. Beduino, de Julio Bressane
07. Paterson, de Jim Jarmusch
08. Eu, Olga Hepnarová, de Petr Kazda e Tomás Weinreb
09. Aloys, de Tobias Nölle
10. A Garota Desconhecida, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
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Marcelo Ferreira | Alta Peliculosidade
01. O Anjo Ferido, de Emir Baigazin
02. Interrupção, de Yorgos Zois
03. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
04. O Apartamento, de Asghar Farhadi
05. Corações Cicatrizados, de Radu Jude
06. O Ritual de Casamento, de Yerlan Nurmukhambetov
07. Diário de Um Maquinista, de Milos Radovic
08. Zoology, de Ivan I. Tverdovsky
09. A Rede, de Kim Ki-duk
10. Treblinka, de Sérgio Tréfaut
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Maria Fernanda Cordo
01. Porto, de Gabe Klinger
02. Cinema Novo, de Eryk Rocha
03. Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
04. Martírio, de Vincent Carelli
05. The Handmaiden, de Park Chan-wook
06. Elle, de Paul Verhoeven
07. O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho, de João Botelho
08. Divinas Divas, de Leandra Leal
09. The Stopover, de Delphine Coulin e Muriel Coulin
10. Aloys, de Tobias Nölle
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Nayara Reynaud | Cineweb
01. Paterson, de Jim Jarmusch
02. A Boa Esposa, de Mirjana Karanović
03. Aloys, de Tobias Nölle
04. A Garota Desconhecida, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
05. Elle, de Paul Verhoeven
06. Pitanga, de Beto Brant e Camila Pitanga
07. Glory, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov
08. Diário de Um Maquinista, de Milos Radovic
09. Animais Noturnos, de Tom Ford
10. The Fits, de Anna Rose Holmer
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Paulo Costa | Cine&Cia
01. The Handmaiden, de Park Chan-wook
02. Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
03. Quando o Dia Chegar, de Jesper W. Nielsen
04. O Ídolo, de Hany Abu-Assad
05. Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
06. The Fits, de Anna Rose Holmer
07. Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
08. Mimosas, de Oliver Laxe
09. Animais Noturnos, de Tom Ford
10. Uma Bandeira sem País, de Bahman Ghobadi
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Pedro Strazza | O Nerd Contra-Ataca
01. Martírio, de Vincent Carelli
02. Canção Para um Doloroso Mistério, de Lav Diaz
03. Divinas Divas, de Leandra Leal
04. Elle, de Paul Verhoeven
05. O Ignorante, de Paul Vecchiali
06. Beduino, de Julio Bressane
07. Cinema Novo, de Eryk Rocha
08. Cameraperson, de Kirsten Johnson
09. Ascent, de Fiona Tan
10. Paterson, de Jim Jarmusch
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Rafael Carvalho | Moviola Digital
01. Paterson, de Jim Jarmusch
02. Elle, de Paul Verhoeven
03. O Ignorante, de Paul Vecchiali
04. Depois da Tempestade, de Hirokazu Koreeda
05. Marguerite & Julien, Valérie Donzelli
06. Invasão Zumbi, de Sang-ho Yeon
07. Ma’ Rosa, de Brillante Mendoza
08. Beduíno, de Julio Bressane
09. Tempestade de Areia, de Elite Zexer
10. Um Casamento, de Mônica Simões
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Tiago Paes de Lira | Tem Um Tigre no Cinema
01. Animais Noturnos, de Tom Ford
02. Heartstone, de Gudmundur Arnar Gudmundsson
03. A Vida na Fronteira, de vários
04. Elle, de Paul Verhoeven
05. Aloys, de Tobias Nölle
06. The Stopover, de Delphine Coulin e Muriel Coulin
07. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, de Juho Kuosmanen
08. O Rei Dave, de Daniel Grou
09. As Ruas, de María Aparicio
10. Uma Bandeira sem País, de Bahman Ghobadi
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Yuri Deliberalli | Discurso Cinematográfico
01. Elle, de Paul Verhoeven
02. Martírio, de Vincent Carelli
03. Beduíno, de Julio Bressane
04. Paterson, de Jim Jarmusch
05. Belos Sonhos, de Marco Bellocchio
06. Corações Cicatrizados, de Radu Jude
07. Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
08. O Ignorante, de Paul Vecchiali
09. O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho
10. Mimosas, de Oliver Laxe
