Skip to content

Entrevista com Abigail Spindel, codiretora de “Waiting for B.”

.:: 24º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.

Na primeira exibição de “Waiting For B.” no Festival Mix Brasil, parte dos fãs de Beyoncé acompanhados pelas lentes de Abigail Spindel e de seu marido Paulo Cesar Toledo durante um acampamento de dois meses para um show da cantora estavam presentes. O entusiasmo em se verem na tela grande do cinema foi notado mesmo por aquele espectador sentado a fileiras de distância.

Esse mesmo sentimento contagiou a codiretora Abigail Spindel enquanto concedia para nós uma entrevista, detalhando os meandros da pré-produção até a exibição para o público de “Waiting For B.”. A realização foi adquirida pela Vitrine Filmes e o seu lançamento comercial deve acontecer no primeiro trimestre do próximo ano.

Como surgiu a concepção para o projeto?
A ideia surgiu quando o Paulo disse que havia fãs que acampariam por dois meses para o show da Beyoncé no Morumbi em 2013. Achei incrível. Só o fato de serem dois meses chamou a nossa atenção. Já a decisão em fazer um documentário em longa-metragem eu posso te dizer que veio quando cheguei ao local e os encontrei. Eles estavam tão à vontade para fazer algo legal. Todos criavam um mundo naquele ambiente e tomamos a decisão em capturar tudo.

A organização de fãs para o show de um artista com meses de antecedência costuma ser ridicularizada. Em seu documentário, você os acompanha com muita afetividade. 
Honestamente, eu nunca fui uma grande fã de alguém, com exceção do Bob Dylan, pois cresci em Boston, num mundo de individualismo, onde não se abaixa a cabeça para ninguém. Aqui no Brasil, há uma cultura de se construir um grupo para celebrar algo. Não se trata de perder a própria dignidade, mas de se inserir em um coletivo para celebrar a vida. Eu aprendi isso durante a realização do documentário.

Mais do que exaltar uma artista, os fãs parecem diante de um modelo de inspiração e superação. Como visualiza esse comportamento vindo de uma cultura mais comedida?
Tenho dois pensamentos sobre isso. De um lado, acho lindo que as pessoas possam se inspirar com a imagem da Beyoncé. Do outro lado, há essa coisa do Brasil ficar em segundo lugar diante de outro país. Não deve proceder. Tudo é por questão da economia, de sistema político. Não é que existe mais talento nos Estados Unidos, mas aqui não há suporte para a meritocracia.

É curioso como você confronta a fila dos fãs da Beyoncé com a organização de torcedores para um jogo no Morumbi. Como se apropria de intervenções nem sempre esperadas como essa?
Quando faço um filme de observação, sempre busco por um momento poético. Algo que contenha metáforas e analogias dentro do que está acontecendo. As nossas vidas são filmes que estão rolando. Na busca por poesia, você captura circunstâncias que são paralelas, que são óbvias. Não é preciso tecer comentários ou adicionar alguma vaidade. São coisas que vão aparecer quando somente observar. Sinto que atualmente ninguém observa mais. Você tem uma tese e faz tudo o que é preciso para defendê-la.

O intervalo entre o fim das filmagens e a exibição de “Waiting for B.” é de três anos. Como foi o longo processo de pós-produção?
Foi muito difícil. A princípio foi positivo, pois entrou uma parceira, a Popcon. Antes, ela se chamava Paranoid e precisávamos aguardar por um ano para que ela se reformulasse. A pessoa à frente da direção (a produtora Tatiana Quintella) tentou para nós divulgar o filme a partir de campanhas com celebridades. Nenhum instante de todo esse tempo foi perdido.

Durante esse período, manteve contato com os fãs que acompanhou durante o acampamento?
Continuamos em contato, mas online. Eles aguardavam com muita ansiedade para ver o filme pronto. Não posso deixar de dizer o quanto estou feliz em assisti-lo novamente, depois de todo esse tempo, e pensar que foi feito para eles, pois todos trouxeram para a minha vida muita felicidade. O que vemos neste filme é uma comunidade que começou do zero e se transformou em algo real, que se emociona quando vê que uma hora esse momento iria acabar. Há aqui uma janela sobre como se construir uma comunidade.

Be First to Comment

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: