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Resenha Crítica | Théo & Hugo (2016)

Théo et Hugo dans le même bateau, de Jacques Martineau e Olivier Ducastel

.:: 24º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.

Quem for assistir totalmente desarmado e tem dificuldades de contemplar sexo explícito em ambientes para as multidões, poderá haver alguns problemas ao enfrentar “Théo & Hugo”. Dirigido e roteirizado por Jacques Martineau e Olivier Ducastel, o filme tem um prólogo longo em que registra, sem restrições, um clube noturno povoado por homossexuais à procura de sexo sem compromisso. Há dezenas de corpos nus e másculos, todos se chocando entre beijos e penetrações.

Com o azul e o vermelho predominando a tela e o uso de músicas eletrônicas abafando as falas e gemidos, esse primeiro momento de “Théo & Hugo” pode muito bem ser confundido com um pornô gay, No entanto, há algo de verdadeiramente especial quando Martineau e Ducastel encenam o surgimento de uma química que explode entre Théo (Geoffrey Couët) e Hugo (François Nambot), dois estranhos cujos olhares se encontram e se fascinam.

A partir de então, a narrativa promete correr em tempo real, com estimativa de encerrar na aurora do dia e respeitando as características de um walking and talking ao estilo “Antes do Amanhecer”. Da restrição de um ambiente em que podem satisfazer os seus desejos, os protagonistas abraçam as ruas de Paris, conhecendo-se em um passeio de bicicleta e dando novos rumos a um romance à primeira vista com um detalhe sobre o sexo que consumaram fazendo ruir toda a harmoniosidade entre ambos.

É curioso como os realizadores propõem um romance que inicia com uma entrega à flor da pele e que aos poucos vai se retraindo como uma escolha para trazer densidade aos personagens. No entanto, embora os intérpretes deem conta de segurar o filme praticamente sozinhos, “Theo & Hugo” começa a cambalear no artificialismo de alguns diálogos, na exploração de locais em que não há controle de figurantes (há até um que chega a piscar para a câmera) e na inconstância de algumas posturas que mais redundam do que fazem o texto progredir.

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