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Resenha Crítica | As Mulheres Que Ele Despiu (2015)

Women He’s Undressed, de Gillian Armstrong

.:: 24º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.

Um dos nomes mais fortes a impulsionar o cinema australiano, Gillian Armstrong está afastada da ficção desde “Atos que Desafiam a Morte”, competente drama de 2007 que faz um registro romantizado sobre o ilusionista Harry Houdini. Foi o limite de uma fase sem êxitos comerciais, mas que não impediu a cineasta de prosseguir com a carreira, agora interessada por documentários.

Em “As Mulheres que Ele Despiu”, a vida Orry-Kelly é revista de cabo a rabo. O figurinista ainda é considerado uma espécie de herói pelos australianos, pois foi um dos primeiros do país a fazer o seu nome com uma carreira artística em Hollywood. Porém, algo importante sobre Orry-Kelly que não podia ser expresso com liberdade era o fato de ser um homossexual, tendo inclusive, supõe-se, um relacionamento com o astro Cary Grant.

Oriundo da televisão, Darren Gilshenan é o responsável por dar vida a Orry-Kelly quando alguns detalhes mais íntimos são compartilhados a partir da pesquisa da roteirista Katherine Thomson. Embora as cenas ajudem a quebrar um pouco o formalismo característico de um documentário, Armstrong as constrói com pouca imaginação, por vezes trazendo à tona a sensação de que está reencenando o seu próprio “Roof Needs Mowing”, curta-metragem realizado em 1971 com um protagonista que rema o seu barco em um mar finito.

Portanto, “As Mulheres que Ele Despiu” faz bem melhor quando é tradicional, enriquecendo o nosso olhar para os figurinos no cinema especialmente ao trazer craques dessa função, como Ann Roth, Catherine Martin, Colleen Atwood e Deborah Nadoolman. É especialmente curiosa a análise sobre a contribuição de Orry-Kelly com Bette Davis, uma atriz com seios fartos e caídos que tinha o seu guarda-roupa totalmente readaptado para reforçar a sua forte presença.

Outra que se viu transformada por Orry-Kelly foi Natalie Wood. Bela atriz, mas sem muitas curvas, Wood é vista como um furacão que incendeia a tela na comédia dramática “Em Busca de um Sonho”. São pontos que não apenas reafirmam o lado glamouroso no cinema, mas que evidenciam o efeito que uma peça de roupa exerce não somente na construção de um personagem, mas em toda a identidade estética de uma produção. Algo enfatizado principalmente no depoimento da diva Jane Fonda, que relembra emocionada o quanto Orry-Kelly a fez se sentir querida e segura ao vesti-la no início de sua carreira.

 

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