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Resenha Crítica | A Rede (2016)

Geumul, de Kim Ki-duk

:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Responsável por um cinema cercado de imagens da mais fina sensibilidade, Kim Ki-duk passou a colecionar detratores desde o instante em que permitiu que a sua depressão passasse a interferir em suas realizações. Há quem tenha julgado o documentário “Arirang” como uma exposição embaraçosa de um período de baixa autoestima. Quanto a “Pièta”, pouco se viu um filme recente sendo detestado com tanta intensidade.

Por tudo isso, “A Rede” pode ser considerado um pedido de reconciliação com os fãs de fases mais unânimes do realizador, trazendo uma discussão não exatamente original, mas pertinente ao momento divisivo que vivemos hoje: as distinções entre as Coreias do Sul e do Norte. Em 2000, Park Chan-wook havia feito um tratado primoroso de iguais como inimigos em “Zona de Risco”, mas a abordagem de Kim Ki-duk tem contornos inclusive satíricos.

Pescador da Coreia do Norte, Nam Chul-woo (Ryoo Seung-bum) enfrenta um problema no motor do barco que garante o seu sustento. A correnteza do rio o faz ultrapassar a fronteira, logo invadindo involuntariamente a Coreia do Sul. Capturado, o pobre Chul-woo é imediatamente encarado como um espião, precisando se submeter a uma série de questionamentos e relatórios para provar que a sua permanência ali é puramente acidental.

Quem tem senso de humor, deve se divertir à beça com as tentativas frustradas dos vizinhos em converter o protagonista, todos realmente abismados com o fato dele ter passado toda a vida sob um regime ditatorial. A falta de sutiliza desses momentos casa muito bem com outros em que Kim Ki-duk encontra um ponto de equilíbrio ao ilustrar um sujeito que logo se verá como um estranho sem pátria. O resultado é ótimo, especialmente por trazer um nó na garganta sempre esperado no cinema do sul-coreano.

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