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Entrevista com Stephen Dunn, diretor de “O Monstro no Armário”

.:: 24º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.

Primeira sessão que apanhamos na programação do Festival Mix Brasil deste ano, “O Monstro no Armário” contou com a presença de seu diretor e roteirista Stephen Dunn. Nascido no Canadá em 1989, o jovem tem um currículo bem abastado de curtas e demonstra potencial em sua estreia em um longa-metragem, tendo recebido inclusive o prêmio de Melhor Filme Canadense no Festival de Toronto do ano passado.

Após papear com o público, Stephen dedicou alguns minutos para uma breve conversa com a gente sobre a produção, na qual admitiu em sua apresentação possuir alguns traços autobiográficos. Também confirmou a realização de seu segundo filme, atualmente em fase de pré-produção.

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Você expressou grande admiração pelo trabalho do também canadense David Cronenberg. Como é lidar com uma narrativa em que a fantasia se confunde com o realismo?
Tenho grande atração por realismo fantástico e a obra de David Cronenberg é muito inspiradora para mim, especialmente no modo como o corpo de um indivíduo reage às perturbações de sua mente. “O Monstro no Armário” é um filme sobre aversão a si mesmo e como a homofobia é internalizada. O modo que encontrei para retratar isso foi trazer um garoto com uma barra de ferro dentro de si como um objeto que ilustra a sua repulsa ao sexo e o desejo em expurgá-lo quando finalmente assume a sua verdadeira orientação.

O seu protagonista amadurece em um contexto diferente da violência que testemunhou na infância. Ainda assim, ele se sente amedrontado mesmo em uma geração mais aberta ao que é diferente.
Este filme traz um episódio traumático testemunhado por uma criança e o impacto que isso trouxe ao seu psicológico para o resto de sua vida. Ele, Oscar, passa a crescer em um ambiente em que não é agredido da mesma maneira que viu no passado. No entanto, carrega consigo essa imagem de violência, esse medo. Oscar precisa lidar por si só com os problemas familiares, especialmente com o seu pai preconceituoso, e tomar a decisão de falar por si mesmo, aguardando pelo momento certo para expressar o que o assombra.

Como você chegou à Isabella Rossellini para fazer a voz do animal de estimação de Oscar?
Originalmente, a voz de Buffy, o hamster, era para possuir uma tonalidade séria. No entanto, cheguei à conclusão que essa escolha não representaria a natureza verdadeira de Oscar. O animal foi dado a ele em um momento em que a sua mãe o abandonou, então precisava de uma voz que soasse maternal. Além do mais, Isabella Rossellini tem todo um legado trabalhando em uma linha mais surrealista e trazia a vocalidade exata que passei a buscar.

Poderia comentar sobre o seu próximo projeto, “What Waits for Them in Darkness”?
Ele é um pouco diferente de “O Monstro no Armário”, que é um filme moderno. Trata-se de uma fantasia ambientada nos anos 1960 onde 50 mil pessoas são obrigadas a se transferir para uma ilha distante após uma inundação. Todas as famílias foram separadas, com os homens navegando em barcos enquanto as mulheres estão presas em suas casas.

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