Resenha Crítica | Creed: Nascido para Lutar (2015)

Creed, de Ryan Coogler

Imortalizado na tela por Sylvester Stallone, Rocky Balboa segue lembrado como um dos mais queridos heróis da ficção americana, fruto de sua primeira aparição em “Rocky: Um Lutador”, que traz a representação de um homem comum reajustando a sua vida privada ao mesmo tempo em que era desacreditado enquanto se preparava para uma luta de boxe contra o imbatível Apollo Creed (Carl Weathers). O que veio a seguir, excetuando “Rocky Balboa”, tratou de direcionar o personagem para abordagens menos nobres, mas nada que interferisse o afeto nutrido pelo imaginário coletivo.

Rocky é uma presença secundária em “Creed: Nascido para Lutar”, mas sem ela o diretor e roteirista Ryan Coogler (de “Fruitvale Station: A Última Parada”) estaria em apuros. Nascido na Oakland de 1986, Coogler viu em Rocky Balboa um modelo para se inspirar principalmente em sua determinação em fazer cinema, apresentando a Stallone um argumento que o convenceria a reprisar novamente o seu icônico personagem.

Na superfície, “Creed: Nascido para Lutar” é uma espécie de atualização da base de “Rocky: Um Lutador”. Filho de Apollo Creed, Adonis Johnson (Michael B. Jordan) é bem-sucedido em um emprego burocrático, mas tem uma fúria internalizada que o faz recorrer à mesma atividade da figura paterna que sempre renegou. Obstinado em herdar o título de maior lutador de Creed, Adonis vai ao encontro justamente daquele que foi o seu maior oponente, Rocky, hoje aposentado e gerenciando um restaurante dos subúrbios da Filadélfia.

Ao convencer Rocky de que ele seria o melhor treinador que encontraria, “Creed: Nascido para Lutar” passa a reprisar também todas aquelas baterias duríssimas de preparo físico tão notórias no filme de John G. Avildsen. Há também o espaço para um interesse amoroso, com Adonis  logo se sentido atraído por Bianca (Tessa Thompson, ótima), uma jovem perdendo paulatinamente a audição que encontra na composição musical um conforto antes de chegar a um estado mais permanente.

Toda essa estrutura reconhecida não impede “Creed: Nascido para Lutar” de obter um resultado igualmente digno, mas é Sylvester Stallone o algo a mais que faz toda a diferença. Não é fácil abrir mão da vaidade para representar um Rocky Balboa no fim de sua carreira, contaminado por uma doença que faz todo o seu vigor se dissipar e os seus dias de vida diminuir. Uma vulnerabilidade com a qual o ator se entrega com uma humildade ímpar e que fará todos os marmanjões que o acompanham até aqui se emocionarem sem reservas.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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