Resenha Crítica | Sete Minutos Depois da Meia-Noite (2016)

A Monster Calls, de J. A. Bayona

Você pode ter a raiva que quiser. Não deixe que ninguém lhe diga o contrário. Nem sua avó, nem seu pai, nem ninguém. E, se você precisar quebrar as coisas, então, por Deus, quebre-as com vontade!

De certo modo, uma atmosfera lúgubre se impôs em “Sete-Minutos Depois da Meia-Noite” desde a sua encarnação original. Publicado em maio de 2011, o breve romance homônimo escrito por Patrick Ness deve a sua existência ao argumento pensado por Siobhan Dowd, britânica morta em 2007 após ser diagnosticada com câncer de mama. Portanto, temos aqui uma história que logo passará a atuar como um mecanismo de aceitação diante de uma perda.

Conor (o excelente Lewis MacDougall, tendo a sua segunda chance no cinema como protagonista após o fiasco de “Pan”) atravessa uma pré-adolescência complicada. Vítima de bullying na escola, o garoto ainda testemunha solitário a sua mãe (Felicity Jones) definhar após inúmeras tentativas sem sucesso de se curar de um câncer.

Por essa pressão emocional, é compreensível que costume se perder em seu universo de criaturas assombrosas que concebeu a partir de desenhos. Pois uma delas ganha a vida toda a vez que o seu despertador sinaliza que são 0h07. Trata-se de uma árvore-monstro gigantesca (voz de Liam Neeson), com a missão de contar três histórias e de ouvir uma quarta, que deverá ser construída pelo próprio Conor.

Realizador de “O Orfanato” e “O Impossível”, o espanhol J. A. Bayona demonstra manipular perfeitamente em “Sete-Minutos Depois da Meia-Noite” a fantasia e a crueza de um drama palpável, ainda que a adaptação cuidada pelo próprio Patrick Ness não consiga conectar, antes na literatura e agora no cinema, as histórias narradas pela criatura, recebendo aqui um tratamento visual esplendoroso, só que incapaz de camuflar a impressão de que estamos sendo direcionados a algo não suficientemente coerente com a aguardada “lição final”.

De qualquer modo, tais desvios de rota não enfraquecem a força em se acompanhar um protagonista que precisa considerar tão pequeno a nebulosidade da existência humana, tendo de processar inclusive a ausência de sua figura paterna (Toby Kebbell) e o que tem em comum com a sua avó (Sigourney Weaver, em seu melhor papel em anos), a sua única opção de guarda de o pior acontecer a sua mãe. São questões adultas raras de serem pensadas em obras com tom de fábula, recebendo especialmente no ato final uma densidade maior que a esperada.

Data:
Filme:
Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

Be the first to comment

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: