Resenha Crítica | Assassin’s Creed (2016)

Assassin’s Creed, de Justin Kurzel

Toda a vez que um game ganha os cinemas, a discussão de que a transição de uma mídia para a outra é impossível sempre é acalorada. Isso acontece porque uma obra cinematográfica não depende do espectador/jogador para ditar os rumos de cada comando, algo que por si só reduz pela metade a força de uma história originalmente concebida para esse propósito.

Muitos tinham esperança que as coisas finalmente seriam diferentes com “Assassin’s Creed”, pois talvez seja a primeira adaptação de um videogame em que os envolvidos têm um pedigree incontestável. Vai ficar para a próxima, pois ninguém parece saber no que está se metendo, seja o astro e produtor Michael Fassbender, seja o diretor australiano de terceira viagem Justin Kurzel.

Sem uma introdução muito convincente, conhecemos Cal Lynch (Michael Fassbender), que na infância teve a sua mãe assassinada pelo próprio pai e que hoje cumprirá a pena de morte por uma série de crimes jamais mencionados, um recurso falho para se ter empatia por uma figura que logo agirá como o herói da ação. Antes uma presença misteriosa, Sofia (Marion Cotillard) se revela como a salvadora de Cal, usando agora um indivíduo dado como morto como um experimento científico.

Em parceria com o seu pai Rikkin (Jeremy Irons), Sofia desenvolveu uma tecnologia nomeada como Animus, capaz de desbloquear as memórias genéticas de um antepassado e assim permitir que alguém do presente o comande para reverter consequências que repercutem no mundo de hoje. Ancestral de Cal, Aguilar viveu durante a Inquisição Espanhola do século XV e logo descobrirá pertencer à Irmandade dos Assassinos, sociedade secreta em conflito com a Ordem dos Templários, que, entre outros objetivos, pretende acabar o direito ao livre-arbítrio. Espécie de McGuffin da narrativa, a Maçã do Éden se apresenta como o artefato a ser resgatado justamente com o poder de controlar a mente de qualquer um.

Com uma premissa que pode soar burocrática até para os aficionados pelos jogos eletrônicos da empresa Ubisoft (que tem influência no controle criativo da adaptação), “Assassin’s Creed” na verdade não passa de um pretexto para Justin Kurzel exercer o seu egocentrismo dando ares shakespearianos a algo que não orna com essa intenção. Além de retomar a parceria com os seus protagonistas de “Macbeth: Ambição e Poder” e de um elenco secundário cheio de veteranos do mais alto calibre (além de Jeremy Irons, temos Brendan Gleeson e Charlotte Rampling), Kurzel ainda intervém no texto do trio Adam Cooper, Bill Collage e Michael Lesslie com conflitos familiares e de gerações buscando uma opulência escrita e verbal digna do dramaturgo britânico. O resultado, como o esperado, não passa de um desastre.

Data:
Filme:
Assassin's Creed
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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