Resenha Crítica | La La Land: Cantando Estações (2016)

La La Land, de Damien Chazelle

Após “Moulin Rouge” e “Chicago”, Hollywood conseguiu resgatar o musical obtendo da plateia um nível de interesse equiparável com o de sua Era de Ouro, voltando a produzir exemplares do gênero com uma frequência razoável. Ainda assim, há muito não se tinha uma produção que chacoalhasse as estruturas. Bom, isso até “La La Land: Cantando Estações”, não somente uma obra que vem colecionando devotos, como também a grande estrela desta temporada de premiações, obtendo no Oscar 2017 14 indicações, número antes alcançado somente por “A Malvada” e “Titanic”.

Apaixonado por música, o diretor de 32 anos Damien Chazelle encerra com “La La Land: Cantando Estações” uma espécie de trilogia sobre o jazz, iniciada em 2009 com o ainda desconhecido “Guy and Madeline on a Park Bench” e continuada no arrasador “Whiplash: Em Busca da Perfeição”, o melhor filme de 2015. Agora, o encontro por vezes conflituoso que acompanha é o de Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) em Los Angeles.

Atendente em uma cafeteria, Mia segue empenhada em se firmar como atriz, mesmo com as sucessivas negativas em testes. Já Sebastian é um pianista com um talento sufocado por um cenário ausente de oportunidades que o obriga a tocar jingles natalinos em um restaurante ou o pop brega dos anos 1980. São indivíduos que se atraem justamente por compartilharem esse sonho de obterem sucesso com as suas ambições.

O segredo de “La La Land: Cantando Estações” está em abraçar a fantasia que ganha forma com o romance que nasce entre os protagonistas sem necessariamente tirar os pés do chão. As belíssimas canções, compostas pelo trio Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul, encantam justamente por serem entonadas por um certo despreparo de Stone e Gosling, conferindo aquela espontaneidade nem sempre natural em musicais.

Já as vibrações emocionais da história são asseguradas por compreender a mesma instabilidade que há no ciclo de estações que as envolve, pois a entrega a um amor quase inconsequente, desses em que se abre mão de tudo para corresponder, sempre trás como consequência o que Mia e Sebastian esperam um do outro e de si mesmos. Inconstâncias inclusive que ganham tradução visual a partir de esforços técnicos, como as cores que ganham vida especialmente pela escolha do sueco Linus Sandgren em manipular digitalmente os tons da fotografia para criar uma ilusão em technicolor.

No entanto, o segredo de “La La Land: Cantando Estações” ser encantador vem pelo respeito a um apego por uma realidade um tanto amarga que faz aterrissar corpos que flutuam justamente por um amadurecimento que nos desprende de nossas fantasias. Delírios que nos fazem aplacar um congestionamento com a celebração de um dia ensolarado ou um amor frustrado com um filminho imaginário. Realidade que nos faz fechar as portas de lembranças por vezes forjadas diante de destinos que não se dão como os idealizamos.

Data:
Filme:
La La Land: Cantando Estações
Avaliação:
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  1. Um show de luzes em seu trabalho de fotografia, uma edição poderosa e detalhista, uma trilha sonora empolgante e emocionante. Assim se compõe La La Land – Cantando Estações, fora outros diversos detalhes. Como se não bastasse, o filme sacramenta seu poderio e seu brilhantismo com um ato final arrebatador, mostrando que a linha raciocínio lógica não usada, não desperdiça um bom desfecho, que adequadamente pode se tornar brilhante, mesmo que não seja aquilo que muitos esperam ou torce. Diante disso, só me lembro de uma das mais brilhantes frases de Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.