Resenha Crítica | A Qualquer Custo (2016)

Hell or High Water, de David Mackenzie

Se “La La Land” renovou o interesse da audiência pelos musicais a partir de um fenômeno equiparável somente com os de “Moulin Rouge” e “Chicago” há 15 anos, “A Qualquer Custo” tem uma tarefa ainda mais árdua: a de revitalizar o faroeste, gênero essencialmente americano, mas que se viu em apuros com o fim da era de ouro de Hollywood e que dependeu nas décadas seguintes da intervenção de nomes europeus (como Sergio Leone) ou de esforços isolados (“Dança com Lobos”, “Os Imperdoáveis”) que, mesmo com o estrondoso sucesso, não o impuseram novamente como tradição.

Finalista em quatro categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme, “A Qualquer Custo” talvez seja o maior êxito do gênero desde o remake promovido pelos irmãos Coen de “Bravura Indômita” ao mesmo tempo em que corresponde a uma roupagem contemporânea digna de Tarantino – o sarcasmo incluído no texto não deve diante dos diálogos ágeis do realizador de “Django Livre” e “Os Oito Odiados”. A ambientação aqui é no tempo presente, mas é imediata a associação do oeste do Texas e de todos os seus xerifes e bandidos que o habitam com os velhos agentes da lei e cowboys de moral ambígua.

Irmãos, Toby e Tanner Howard (Chris Pine e Ben Foster) são apresentados no prólogo de “A Qualquer Custo” em meio a uma maratona de assalto a bancos. Uma vez identificado o padrão quanto a como eles agem, Marcus Hamilton (Jeff Bridges), um Texas Ranger, e o seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham) começam a agir para tentar antecipar os passos dos criminosos, cujas identidades ainda desconhecem. Enquanto seguem com o plano, Toby e Tanner começam a expor as suas diferenças, uma vez que o primeiro deseja saquear bancos somente para depois “reembolsá-los” em forma de pagamento para obter uma propriedade enquanto o segundo, um sujeito bem temperamental, parece mais interessado em jogos de azar e garotas de programa.

Com uma regência impecável, um mérito que também deve ser depositado na conta do montador Jake Roberts (que está na disputa ao Oscar na categoria), o versátil David Mackenzie tem aqui a maior obra de sua filmografia, especialmente por corresponder tão bem a algumas representações presentes no roteiro de Taylor Sheridan, o seu primeiro desde o arrasador “Sicario: Terra de Ninguém”. Aos poucos, alusões ao passado daquele cenário, uma propriedade indígena, ganham ressonância dramática.

Muito mais do que um alívio cômico perverso, os insultos de Marcus endereçados ao seu colega de descendência indígena carregam as heranças de uma nação dominada e depois erradicada. Ao mesmo tempo, os irmãos são vistos com alguma simpatia por desestruturar um mapa árido com bancos a cada esquina e comércios vazios. Tudo caminha para formar aquela anatomia estabelecida do faroeste, agora aqui com carros sepultados substituindo cavalos e o chumbo anunciando que não há mais recompensas para a caça.

Data:
Filme:
A Qualquer Custo
Avaliação:
41star1star1star1stargray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em Resenha Crítica | A Qualquer Custo (2016)

  1. Esse filme me lembrou muito a estrutura de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”,o xerife em fim de carreira(Tommy Lee Jones e Jeff Bridges)a violência desenfreada em um lugar de aparente tranquilidade e o tom da fotografia e montagem remete as perseguições do filmaço dos irmãos Coen.”A Qualquer Custo” obteve um merecido reconhecimento na temporada de prêmios e sem dúvida é o melhor filme de David Mackenzie.

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