Resenha Crítica | Logan (2017)

Logan, de James Mangold

Enquanto Robert Downey Jr. e Chris Evans somam cada um sete aparições respectivamente como o Homem de Ferro e o Capitão América, Hugh Jackman continua ostentando o recorde de vezes que encarnou o mesmo super-herói no cinema. “Logan” marca a nona vez que o vemos como o mutante com garras de adamantium. Por outro lado, os fãs do icônico personagem terão aqui a última oportunidade de ver o australiano vivendo o selvagem de bom coração em uma aventura inédita.

A carreira de Hugh Jackman no cinema só tinha um ano de vida quando Bryan Singer apostou que ele seria um excelente Wolverine em “X-Men”, produzido há 17 anos. A escolha não poderia ter sido mais que perfeita, com o ator assumindo o protagonismo da maior parte das sequências e ainda investindo em uma trilogia-solo, que chega ao seu derradeiro episódio com escolhas radicais que podem inaugurar novos caminhos para as adaptações de quadrinhos.

Na realidade, James Mangold, que já tinha assumido as rédeas do ótimo “Wolverine: Imortal”, prossegue privilegiando uma narrativa que pouco compete ao universo fantástico dos heróis de quadrinhos, uma vez que Logan é inserido em um universo à parte, com exemplares em brochura dos X-Men espalhados em sua realidade como se exercessem um papel metalinguístico. Aliás, Logan/James raramente é tratado como Wolverine, dando toques ainda mais críveis a um filme que percebe a sua mutação mais como uma alegoria sobre aquilo que é diferente e vive à margem e menos como justificativa para a ação.

O Logan visto aqui está em um futuro próximo, no qual os mutantes foram erradicados. Para se manter anônimo, trabalha como chofer enquanto busca entregar os pontos a partir do alcoolismo, trazendo consequências devastadoras para um ser que até então acreditávamos deter um indefectível fator de cura.

O surgimento de Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma enfermeira que diz ser mãe de Laura (Dafne Keen) e que implora por sua ajuda, faz com que Logan se rebele contra uma organização que as perseguem, que teria perdido o controle de um pequeno grupo de crianças concebidas para se transformarem em supersoldados. Ao seu lado, restaram somente um Charles (Patrick Stewart, em sua melhor encarnação como o personagem) nonagenário e em estágio inicial de demência, e Caliban (Stephen Merchant), albino ultrassensível ao sol e com olfato apuradíssimo.

O que se tem a partir dessa premissa é um filme de ação com características de road movie que chega a oscilar em algumas circunstâncias no ritmo e na qualidade. A atmosfera árida não dá espaço para nenhuma extravagância e Wolverine/Logan nunca foi tão humanizado, exercendo aqui uma figura paterna para Laura, pequena garota que também revelará capacidades sobre-humanas e podendo muito bem ser confundida com a fascinante Eleven, do seriado “Stranger Things”. Mas há também soluções e muletas dignas de roteiristas iniciantes, que alongam desnecessariamente algo que seria melhor resolvido em no máximo duas horas. Caliban acaba se transformando aqui em um mero GPS e há um impasse envolvendo um depósito de água que não passa de uma distração besta para render uma consequência devastadora.

De qualquer modo, o que prevalece é a integridade com a qual Hugh Jackman encerra o seu legado como o herói e a importância que é conferir controle criativo integral a um diretor de um grande projeto. Aqui, James Mangold entrega um filme extremamente violento, com garras perfurando crânios jorrando sangue sem qualquer cerimônia, abrindo mão de uma censura mais branda em nome de uma liberdade que fará do Logan encarnado por Jackman uma presença muito mais permanente no imaginário coletivo.

Data:
Filme:
Logan
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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