Resenha Crítica | A Grande Muralha (2016)

The Great Wall, de Zhang Yimou

Quem conhece ao menos uma fatia da filmografia do chinês Zhang Yimou, tem conhecimento de sua habilidade em tratar com a mesma perícia o mais cristalino dos espetáculos visuais até o mais minimalista dos dramas humanos. Se você se pegou embasbacado com as habilidades marciais dos protagonistas de “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”, que transitam pela tela com a leveza de uma pena, é certo que também se verá fisgado por uma obra como “Nenhum a Menos”, sobre uma jovem que move montanhas ao desempenhar o papel de professora em um vilarejo em que um bastão de giz é equivalente a ouro.

Até certo ponto, é possível afirmar que Yimou volta a trafegar com naturalidade de um projeto pequeno como o bárbaro “Amor Para a Eternidade” (lamentavelmente lançado somente em video on demand no Brasil) para outro de grande escala como “A Grande Muralha”. Entretanto, na prática, temos uma nova tentativa de ocidentalizar o seu cinema após “Flores do Oriente”, que trouxe Christian Bale como um padre que encontra a sua redenção ao proteger um grupo de estudantes e prostitutas da sucessão de estupros de uma Nanking em tempos de guerra. Da China, temos em “A Grande Muralha” uma equipe técnica que não se compara com a de qualquer outra indústria, o elenco de apoio e uma fatia generosa do orçamento. Dos Estados Unidos, há Matt Damon como um líder, a predominância da língua e o restante dos custos de produção.

A premissa é de videogame. Mercenários europeus, William (Damon) e Tovar (o chileno Pedro Pascal) fazem uma busca incansável pelo pó preto (como aparentemente era chamada a pólvora) para enriquecerem. O embate com uma criatura, da qual conseguem remover uma das patas, faz com que ambos estudem um atalho. Mergulham em uma viagem de dois dias à Grande Muralha, onde informam sobre a existência de animais selvagens como ameaça ao mesmo tempo em que espiam a existência de um depósito generoso com a substância explosiva.

Estamos na época da Dinastia Sung e, embora tenhamos aqui pessoas que dariam conta exemplarmente da horda de bestas verdes que atacam os soldados com o único propósito de alimentarem a sua rainha, as habilidades de William e Tovar como arqueiros de algum modo se fazem necessárias. O problema é que sempre quando a Comandante Mae Lin (Jing Tian) está no centro da ação, os dois heróis se convertem em figuras ainda mais pálidas.

Em seus melhores momentos, “A Grande Muralha” é uma bela sinfonia cinematográfica, com uma harmonia no controle de multidões, cores e ação que somente Yimou é capaz de regenciar. O primeiro ataque à Grande Muralha, encenado logo após o prólogo, é daquele que faz valer a magnitude de uma tela grande de cinema. Pena que o que vem a seguir é dramaturgicamente frouxo, dando tom de filme B em algo vindo de um realizador sempre reconhecido por sua finesse.

Data:
Filme:
A Grande Muralha
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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