Resenha Crítica | Souvenir (2016)

Souvenir, de Bavo Defurne

Anteriormente programado para estrear em junho, a distribuidora Pandora Filmes fez bem em antecipar “Souvenir” para este início de março, poucos dias após o fim da trajetória da atriz Isabelle Huppert no award season por sua interpretação em “Elle”. Quem não estava familiarizado com a carreira da francesa, testemunhará a sua versatilidade em um papel totalmente oposto ao de sua memorável Michèle Leblanc. Já os seus fãs de longa data poderão desfrutar em “Souvenir” outra faceta de seu talento: o canto.

Aqui, Huppert vive Liliane Cheverny, uma mulher que trabalha silenciosamente em uma fábrica de bolos, sendo responsável por dar o toque final na sobremesa adicionando três ingredientes decorativos. Trata-se de uma rotina padronizada e de desencantos que Bavo Defurne capta com uma câmera rígida em sua exposição dos vazios que rondam Liliane.

Os seus dias passam a ganhar tons mais coloridos com a vinda de Jean Leloup (Kévin Azaïs), um jovem recentemente empregado que de imediato associa Liliane à Laura, uma celebrada candidata do Festival Eurovisão da Canção que caiu no anonimato após perder uma final com o grupo ABBA – nenhum paralelo com a realidade, pois o grupo sueco, vencedor da edição de 1974, bateu a italiana Gigliola Cinquetti. Pois as suspeitas logo se confirmam e Jean começa a incentivá-la a voltar a cantar.

O que vem a seguir é um relacionamento encenado de modo maduro entre duas pessoas com idades bem distintas, mas Defurne, com a contribuição de Jacques Boon e Yves Verbraeken no roteiro, fica devendo nos demais aspectos, a exemplo da inconstância dos personagens. Liliane/Laura e especialmente Jean alternam da doçura para a fúria por vezes sem muito embasamento dramático, bem a mãe de Jean, Martine (Anne Brionne), que passa a se comportar de modo nada cordial ao descobrir que há algo sério entre os dois.

De qualquer modo, “Souvenir” resulta simpático quando consegue ornar as suas disparidades, valendo especialmente pela presença sempre forte de Isabelle Huppert, que entrega uma performance vibrante de “Joli garçon”, canção de Pink Martini que será a responsável pelo renascimento de sua protagonista. Sair da sessão cantarolando será inevitável.

Data:
Filme:
Souvenir
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

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